Fernando Quevedo / Agência O Globo/
Fernando Quevedo / Agência O Globo/

Na TV, Cunha diz que ‘há muito por fazer’

Em fala protocolar, presidente da Câmara afirma ter dever de assegurar governabilidade; pela manhã, tom foi agressivo contra o Planalto

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2015 | 22h43

São Paulo - No dia em que anunciou a ruptura com o governo da presidente Dilma Rousseff, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou, durante pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, que a Casa nunca trabalhou como agora e que “ainda há muito por fazer”. Mas ressaltou que é seu dever assegurar a governabilidade do País.

A postura na TV contrastou com a entrevista concedida pela manhã, quando o peemedebista fez duras críticas ao Planalto e anunciou seu rompimento pessoal com o governo federal.

No pronunciamento, ele foi protocolar. “Hoje o Brasil vive uma crise, crise com a qual todos sofrem e que o governo busca enfrentar com medidas de ajuste que a Câmara tem avaliado com critério sempre atenta a governabilidade do País, que é nosso dever assegurar”, disse. 

Numa crítica indireta ao Executivo, Cunha, porém, lembrou a história da fundação de Brasília e disse que a capital foi inaugurada para os três poderes viverem em harmonia. “Mas quatro anos depois, infelizmente, o Brasil tornou-se uma ditadura e a independência dos poderes acabou”, disse. “Só recentemente o Judiciário e o Legislativo recuperaram sua independência e o equilíbrio entre os poderes.” 

Cunha afirmou ainda que a Câmara “independente” de hoje é um poder com muito mais iniciativa. “Estamos dando respostas urgentes, a população não aguenta mais esperar.” 

A cadeia nacional de rádio e TV foi convocada pelo presidente da Câmara com a justificativa de prestar contas do trabalho da Casa. Segundo ele, são as principais demandas da sociedade que pautam os trabalhos dos deputados e destacou votações recentes como a redução da maioridade penal e a reforma política. “Nossas pautas beneficiam as pessoas simples”, disse. 

‘Oposição’. No dia seguinte ao depoimento do lobista Julio Camargo, que acusa Cunha de exigir US$ 5 milhões de propina por contratos da Petrobrás, o peemedebista disse que passava à condição de “oposição” ao governo Dilma. 

“Eu, como político e deputado do PMDB, e não como presidente da Câmara, vou pregar no congresso do PMDB, em setembro, que o PMDB saia do governo. Eu, pessoalmente, a partir de hoje, me considero com um rompimento pessoal com o governo.” Cunha disse que, como deputado, não aceita que o seu partido faça parte de um governo que quer arrastar os que o cercam “para a lama”. 

Ele voltou a afirmar que é vítima de perseguição do Planalto em conjunto com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Tem um bando de aloprados no Palácio que vive de criar constrangimentos”, disse. Segundo ele, o governo não o “engole”. “O governo tem um ódio pessoal contra mim.”

Cunha também criticou os procedimentos adotados pelo juiz federal Sérgio Moro na delação de Julio Camargo. Para o peemedebista, o juiz não poderia ter colhido depoimentos contra alguém que tem foro privilegiado. Ele alega que isso só poderia ser feito pelo Supremo Tribunal Federal. 

“Juiz de primeiro grau não poderia ter conduzido depoimento daquela maneira. Ele violou o procedimento de foro privilegiado, ao qual eu tenho acesso.”

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