Na troca de ministros, Dilma tenta segurar o PR na base

A presidente Dilma Rousseff ainda não conseguiu fechar os nomes dos novos ministros que passarão a compor sua equipe na minirreforma ministerial que pretende fazer nos próximos dias. De acordo com informação de auxiliares da presidente, ela tem mais certeza daqueles que não quer na equipe de ministros do que daqueles que quer.

JOÃO DOMINGOS E TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

11 de março de 2013 | 21h37

Entre os rejeitados está o deputado Luciano Castro (RR), um dos candidatos do PR para o Ministério dos Transportes. Outra certeza é que a senadora Kátia Abreu (TO) não será convidada, porque é adversária do presidente do PSD, Gilberto Kassab. O ministro do partido deverá ser o vice-governador de São Paulo, Afif Domingos, para o qual está prometido a recém-criada Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

Como a decisão já tomada está a mudança do atual secretário de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco, do PMDB, para a Secretaria da Aviação Civil, ocupada por Wagner Bittencourt, sem partido, funcionário de carreira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). E é muito forte a aposta na ida do atual ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, também do PMDB, para a Pasta dos Assuntos Estratégicos. Para o lugar dele iria o deputado estadual mineiro Antonio Andrade, peemedebista.

Mendes Ribeiro, no entanto, iria para o lugar de Moreira Franco não por ser um estrategista e pensador do futuro do Brasil, mas por estar doente. Amigo da presidente, Dilma não quer desagradá-lo, simplesmente o retirando do Ministério da Agricultura e o devolvendo à Câmara dos Deputados.

O maior problema para Dilma Rousseff tem sido o PR, de acordo com informações de auxiliares da presidente. No último encontro de Dilma com os senadores Alfredo Nascimento (presidente do partido, ex-ministro dos Transportes demitido na faxina feita em 2011), Antonio Carlos Rodrigues (SP) e com o líder do partido na Câmara, Anthony Garotinho (RJ), tratou-se da reaproximação do partido com o governo. Mas não foram propostos nomes.

Mesmo assim, houve confusão porque muitos se lançaram ou reforçaram o lobby para serem nomeados. Dilma acha que o ex-líder Luciano Castro não tem perfil para o ministério, embora conte com o apoio da bancada na Câmara. O preferido de Dilma, senador Blairo Maggi (MT), foi vetado pela direção do PR.

Mesmo com a grande confusão, Dilma quer o PR de volta ao governo. Fala-se que, se não for dado um ministério ao partido, a legenda poderia ser contemplada com uma estatal. O problema que se apresenta é: qual empresa? Para a direção do PR, seria uma boa compensação. O partido considera que qualquer estatal é melhor do que qualquer ministério, à exceção de dois: o de Minas e Energia, firme nas mãos de Edison Lobão, do PMDB; e o da Integração Nacional, com Fernando Bezerra Coelho, do PSB.

Dilma, no entanto, não mexerá com ninguém do PSB, porque não quer briga com o governador de Pernambuco agora. Também não quer que partidos como o PR possam se bandear para os lados de Eduardo Campos. Na opinião dela, o PR, com seu tempo de TV (um minuto e dez segundos diariamente), é muito importante para sua chapa, na eleição do ano que vem. Mas para Campos e para o tucano Aécio Neves, seria imprescindível. Por isso, o jeito será agradar ao partido que encabeçou a lista dos faxinados.

Outra mudança que é tida como certa é a do deputado Brizola Neto. Sem nenhum apoio no PDT, ele deverá ser substituído por Manoel Dias, secretário-geral da legenda. Dias tem o apoio de Carlos Lupi, presidente da legenda que também acabou entrando na faxina de Dilma Rousseff depois de se envolver em suspeitas de corrupção. Nos últimos meses, Lupi tem dado mostras de que poderá deixar o governo Dilma para apoiar Eduardo Campos ou Aécio Neves.

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