Na terceira tentativa, Gilberto Gil deixa Cultura

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, anunciou nesta quarta-feira que deixa o cargo. Em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gil pediu pela terceira vez para sair do governo. Desta vez, o presidente não tentou convencê-lo a desistir. "Encontrei o presidente sensível à apreciação profunda de nossas questões, dos nossos problemas, especialmente das minhas questões pessoais, à necessidade de me afastar do governo embora com um sentimento de perda", disse a jornalistas ainda no Palácio do Planalto. "Ele me liberou. No momento em que o próprio presidente também percebeu que esse equilíbrio poderia ficar crítico, então resolvemos", acrescentou. Assume interinamente a pasta o secretário-executivo do ministério, Juca Ferreira. Gil disse que o colega pode ser efetivado na função. Acompanhado da mulher, Flora, Gil anunciou que pretende agora se dedicar à carreira artística e à família, pois em breve ganhará mais um neto. Nos cinco anos e meio em que ocupou a pasta da Cultura, Gil conciliava as atividades de músico com as de ministro. Neste ano, além dos trinta dias de férias, Gil tirou outros 40 de licença para lançar o disco "Banda Larga Cordel". Gil voltou da licença no domingo decidido a se demitir. Telefonou ao presidente pedindo uma audiência, marcada para esta quarta-feira. Antes de receber Gil, depois de um almoço no Itamaraty, Lula afirmou a jornalistas que o ministro teria sofrido uma recaída e queria voltar a ser artista. Gil argumentou que o fato de ser músico ajudou a dar ao Ministério da Cultura projeção internacional. "Não muda muita coisa. Eu só deixo de assinar papéis como ministro, mas continuo a ter papéis a desempenhar por aí", completou. Gil, de 66 anos, revelou que sua maior frustração foi não ter conseguido convencer o presidente Lula e a equipe econômica do governo a dar ao Ministério da Cultura pelo menos 1 por cento do Orçamento da União. Fez, no entanto, um balanço positivo de sua gestão. "Me afasto por necessidades pessoais, mas com certo ar de saudades." Questionado qual seria a trilha sonora do período em que esteve à frente da pasta, disse que cederia "Refazenda" como jingle do governo Lula. De sua autoria, a música contém os versos "refazendo tudo" e "amanhecerá tomate e anoitecerá mamão." "Por acaso, "Refazenda" se refere em algum momento ao Planalto Central e às plagas planaltinas. O governo do presidente Lula significa uma refazenda extraordinária no país", explicou. "O governo do presidente Lula teve a capacidade de fazer o país compreender o processo da transmutação permanente que se deve fazer da vida, dos instrumentos da política, da gestão, da criação e do estímulo à produção, da responsabilidade gerencial pública e privada." (Reportagem de Fernando Exman)

REUTERS

30 Julho 2008 | 20h11

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