Na sessão histórica, cadeiras vazias

Apenas dois deputados foram assistir ao julgamento no Supremo

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2023 | 00h00

A maioria dos deputados e senadores ignorou ontem o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido de abertura de ação penal contra 40 políticos e empresários acusados de envolvimento com o mensalão. Apenas dois parlamentares apareceram no Supremo: o ex-relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), e o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP).Sobraram lugares no plenário durante a sessão, que não atraiu sequer estudantes de direito. Considerado histórico, o julgamento deve se estender até amanhã, quando os 11 ministros vão decidir sobre a abertura ou não de ação penal."É impossível que a denúncia não seja acatada", afirmou Serraglio, que assistiu a parte da sessão do Supremo, que durou quase nove horas. Para ele, o julgamento não trará reflexos políticos para o governo."O reflexo agora é mais externo. A população passa a se convencer de que temos instituições que merecem credibilidade", observou. Ele defendeu ainda agilidade nos processos contra os acusados, caso a denúncia seja acatada pelo Supremo, para evitar a prescrição dos crimes: "O Brasil sofre do mal do formalismo. Quem tiver um grande advogado processualista pode levar isso por 20 anos."Já Pannunzio espera que o julgamento ponha de novo em xeque o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O que está em julgamento é a república do PT", disse.A leitura do relatório e a apresentação da denúncia transcorreram em clima de total tranqüilidade. Foi tão calmo que o ministro do STF Eros Grau passou um bilhete para um dos advogados de defesa, colega de faculdade, comentando a invasão do prédio da Faculdade de Direito da USP. "Voltamos à ditadura", escreveu.

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