Na presidência, petista Tião Viana quer aprovar a CPMF

Com a saída de Renan, governo espera acalmar os ânimos no Senado e passar a prorrogação do imposto

12 Outubro 2007 | 14h03

Com o afastamento do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), o senador Tião Viana (PT) assume o cargo. Em entrevista à Agência Senado, Viana disse que voltar as atenções agora para a votação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O senador frisou que "o assunto é relevante e de interesse do Brasil", mas não quis fazer um prognóstico sobre os resultados.     Veja também: Especial sobre o caso Renan    Com um pronunciamento que durou apenas 2 minutos e 16 segundos, Renan encerrou na quinta-feira uma jornada de 139 dias de resistência. Em sua breve fala, transmitida pela TV Senado, ele admitiu que a relutância em deixar o cargo foi quebrada com a sessão plenária de terça-feira. "Saio para evitar a repetição dos constrangimentos ocorridos na sessão do dia 9 de outubro", afirmou.   Na terça-feira, uma dezena de senadores se revezou na tribuna para uma avalanche de críticas e pedidos contundentes para que deixasse o cargo e parasse de usar a instituição como trincheira contras as representações que enfrenta no Conselho de Ética. Foi também nesse dia que o PT abandonou sua defesa e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) exibiu uma gravação mostrando que Francisco Escórcio, assessor de Renan, tentara armar um esquema para espioná-lo.   De terça-feira até a decisão de se afastar do cargo, foram cerca de 40 horas de muita conversa e pressão da cúpula do PMDB e também de muito aconselhamento do amigo e governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB). O governo espera agora acalmar os ânimos no Senado.   O que mais irritou os aliados foi sua recusa em tirar uma licença depois da absolvição com o apoio de 46 senadores na sessão do dia 12. Do ponto de vista do PMDB, a trapalhada final foi a truculência da operação para destituir os senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).   Mas, para o PT e o próprio Planalto, o mais grave foi a "demonstração de força" dada com a derrubada da medida provisória que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo. Foi ali que os petistas e o governo se deram conta do quanto era arriscado mantê-lo na presidência.   Processos continuam   A estratégia de Renan Calheiros de se afastar da presidência do Senado para arrefecer o clima de cassação não deve surtir efeito no Conselho de Ética da Casa - que reúne-se na próxima terça-feira, às 14 horas, para discutir o cronograma de trabalho dos relatores dos três processos contra Renan. Senadores de oposição dizem que os processos contra Renan por quebra de decoro vão continuar. Na próxima semana, a Mesa do Senado enviará ao conselho mais um pedido de investigação.  Integrante da linha de frente contra Renan, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que a licença atendeu a um clamor generalizado, mas não beneficiará o peemedebista no conselho. "Não há possibilidade de qualquer acordo para facilitar a vida de Renan Calheiros no exame dos próximos processos no Conselho de Ética." O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) avaliou que a decisão de Renan foi tomada tarde. "Não acredito que os relatores vão amolecer."   A situação do peemedebista no Conselho de Ética já se deteriorara na quarta-feira. Naquele dia, pressionado por senadores de seis partidos, o presidente do colegiado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), finalmente indicou o relator para a terceira representação. O escolhido foi o senador Jefferson Péres (PDT-AM), um ativo crítico de Renan. Péres é que se encarregará da tarefa de relatar a mais documentada denúncia, apresentada há mais de 50 dias pelo DEM e pelo PSDB: a de que Renan teria usado laranjas para comprar empresas de comunicação.   O presidente licenciado do Senado também é investigado pela suposta participação num esquema de coleta de propina em ministérios chefiados pelo PMDB e pela suspeita de ter favorecido a cervejaria Schincariol.   (Com Christiane Samarco, Cida Fontes e Ana Paula Scinocca)

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