Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Na posse de Aras, Bolsonaro faz 'apelo' ao MP: 'Corrigir é melhor que sanção lá na frente'

Fala foi compatível com o discurso do procurador-geral, que defendeu 'Ministério Público atuante, mas responsável'

Breno Pires, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2019 | 12h38

BRASÍLIA - Na cerimônia de posse do procurador-geral, Augusto Aras, o presidente da República, Jair Bolsonaro, fez um "apelo" a integrantes do Ministério Público Federal para que, se não estiverem indo no caminho certo ao fazer uma investigação, possam corrigir.

"O apelo que faço apenas a todos do MP, é importante investigar, é importante fazer cumprir a lei. Mas, por muitas vezes, se nós não estivermos num caminho certo, mesmo bem intencionados, nos proponhamos a corrigir. Corrigir é melhor que uma possível sanção lá na frente. Somos humanos, erramos", disse o presidente nesta quarta-feira.

A fala foi compatível com o discurso do procurador-geral da República, Augusto Aras, que defendeu "Ministério Público atuante, mas responsável". Aras também citou o enfrentamento à corrupção como uma prioridade, além de elogiar procuradores da Operação Lava Jato e o então juiz federal e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

O apelo de Bolsonaro veio após ele narrar iniciativas de seu governo. Disse que, na ONU, fez um "pronunciamento verdadeiro para mostrar para o Brasil o nosso potencial e o que nós queremos". "Procurei mostrar também que temos aquilo que o mundo não tem, uma região amazônica que é nossa, que pode ser solução para o mundo sim, mas que passem essas políticas pelas mãos de todos nós, em especial da Câmara e do Senado", disse.

Bolsonaro ainda elogiou Moro e Paulo Guedes, ministro da Economia. "Nós temos tudo para dar certo. E neste momento, mais do que orgulhoso, estou honrado por estar nesse ambiente, nesse prédio, onde está o nosso Ministério Público, instituição talvez sagrada, mas com independência, altivez e bons propósitos, que tem, sim, ajudado e muito ao Brasil."

Cavalo. O presidente voltou a fazer uma comparação entre a gestão do País e um jogo de xadrez. No tabuleiro, desta vez, disse que Augusto Aras era a dama e ele próprio, Bolsonaro, o rei. Comentou, também, que "Rodrigo Maia (presidente da Câmara) é uma torre, e a outra torre é o (Davi) Alcolumbre (presidente do Senado)".

"Cavalo, no bom sentido, é o Dias Toffoli (presidente do Supremo). Meus ministros são os peões", acrescentou Bolsonaro.

No fim desse raciocínio, o presidente pediu que "Deus ilumine Augusto Aras". "A independência que tem de ter é a garantia do sucesso do cumprimento da missão."

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