Na PF, advogado confirma coleta de propina para grupo do PMDB

Em depoimento de mais de quatro horas à Polícia Federal, o advogado Bruno de Miranda Ribeiro Lins reafirmou ontem ter testemunhado o funcionamento de um esquema de coleta de propinas em ministérios comandados por políticos do PMDB. O dinheiro, segundo ele, seria destinado a partilha por peemedebistas, entre os quais o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o líder do governo na Casa, Romero Jucá (RR), e o deputado Carlos Bezerra (MT). Todos negaram as acusações. Sem apresentar provas, Lins repetiu também a versão de que seu sogro, Luiz Carlos Garcia Coelho, era o operador do esquema e se apresentava como representante de Renan nas negociações de propina. O advogado, que foi casado com Flávia Garcia, filha de Coelho e funcionária do gabinete de Renan, reafirmou também que participou de gestões com o sogro e, a mando dele, fez dois saques no banco BMG - um no valor de R$ 500 mil e outro de R$ 1,5 milhão.Ele disse que o dinheiro foi entregue a Coelho, o qual lhe teria assegurado que era para partilha entre peemedebistas, mas disse não ter provas disso. Em outro trecho, afirmou que em certa ocasião entregou pessoalmente, a mando do sogro, R$ 150 mil a Bezerra, que tinha sido presidente do INSS e disputava a eleição de deputado. A PF viu inconsistências no depoimento e pediu ao advogado que reunisse documentos e recuperasse e-mails, gravações de conversas e quaisquer elementos que possam comprovar suas afirmações.Lins usou a garagem privativa da PF e não falou com a imprensa. Seu advogado, Rossini Corrêa, deu detalhes do depoimento. "Ele disse que o sogro se apresentava como homem de confiança de Renan, mas como não tem provas e não quer cometer aleivosias contra ninguém relatou o fato à polícia para aprofundamento." Segundo seu advogado, Lins disse que nunca participou diretamente de atos de corrupção, mas garante ter testemunhado diversas conversas e negociações do sogro. Lins foi casado com a filha de Coelho por seis anos e está desde 2005 num turbulento processo de separação litigiosa. Ele se comprometeu a reunir os documentos pedidos pela PF, inclusive e-mails e gravações que afirma ter feito do sogro, com detalhes relacionados ao suposto esquema.

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