Na penúria, PT vai cobrar inadimplentes

Com uma dívida na casa dos R$ 40 milhões, o PT vai cobrar o dízimo dos inadimplentes que ocupam cargos de confiança nos governos federal, estaduais e municipais e no Legislativo. Na reunião do Diretório Nacional do PT, o secretário de Finanças do partido, Paulo Ferreira, usou um eufemismo para definir a cobrança explícita. ´Vamos reforçar a estrutura de abordagem dos filiados´, amenizou ele.Ferreira contou que grande parte dos ocupantes de cargos públicos de confiança, indicados pelo PT, não colabora com o partido. Atualmente, o PT tem apenas 974 contribuintes no Executivo que estão em dia com as contribuições partidárias e 701 no Legislativo. As faixas do dízimo variam de 2% a 10% do valor dos salários."Em Brasília, vamos escalar dez pessoas somente para conversar com os inadimplentes", afirmou Ferreira, que disse não saber o número exato de devedores nessa categoria. O PT tem 850 mil filiados no País.O secretário de Finanças já marcou para janeiro reunião com os tesoureiros do PT do Acre, Bahia, Piauí, Pará e Sergipe ? os cinco Estados que serão administrados pelo partido: vai pedir que reforcem a cobrança assim que os governos forem montados. "É fundamental recuperar a capacidade de auto-sustentação do PT", observou.Rombo na campanhaAlém desse problema, a campanha do presidente Lula ainda tenta tapar um rombo de R$ 5 milhões em suas contas. Ex-prefeito de Diadema, o tesoureiro da campanha, José de Filippi Jr., tem até terça-feira à noite para cobrir o déficit, por causa da Lei Eleitoral que exige a extinção do comitê até o dia 28."Não temos dinheiro para completar o caixa da campanha de Lula", garantiu Ferreira. Mesmo com a penúria, ele afirmou que a situação está menos apertada do que em junho de 2005, quando estourou o escândalo do mensalão. Em dezembro do ano passado, a dívida do PT estava em R$ 55 milhões, mas Ferreira renegociou contratos com credores e os débitos com o Banco do Brasil, BMG e Banco Rural.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.