Rafael Arbex | Estadão | ESTADAO CONTEUDO
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Na Paulista, telão, velas e grupos pró e contra impeachmet

Movimentos opostos se concentraram em frente do Masp e diante da Fiesp para acompanhar votação no Senado; ato teve quatro detidos

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 04h40

A Avenida Paulista abriga três movimentos nessa quarta-feira, 11. Um deles, a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, montou acampamento na frente da Fiesp, encheu seus pixulecos e estacionou um gigantesco caminhão de som na via.

O outro, contra o afastamento da presidente, postou-se perto do Masp, acendeu velas e fez coro para chamar Michel Temer de traidor. Um terceiro grupo, mais fluído, de certo que bem menos engajado, também se reuniu na Paulista, mas com cervejas geladas e porções de batatas fritas. Ou seja, os partidários do happy hour.

O grupo pró-impeachment chegou cedo. Às 17 horas seus integrantes fecharam três vias da Paulista, no sentido Paraíso, e tentavam prestar atenção em um telão sem som – que transmitia a sessão do Senado. Assim que os carros foram impedidos de circular no trecho, a dentista Maria Abuacia, de 54 anos, realizou um sonho de infância e se deitou na Paulista. “Estou me sentindo livre, livre do PT e da ladroeira que assolou o País. Por isso, vou deitar no meio da rua e aproveitar”, disse.

Ao lado da dentista, um ambulante otimista com a melhora da economia tentava vender um mini pixuleco por R$ 20. “Pra você, posso até fazer por R$ 10, mas não espalha. Quem não quer ter uma lembrança desse dia?”, perguntou.

Perto dali, na frente do Masp, um grupo acendeu velas no asfalto da avenida, fez um minuto de silêncio e prometeu permanecer em vigília até o fim da decisão do Senado. “A gente vai ficar aqui protestando e lembrando que o que a gente está vivendo é um golpe”, declarou a professora de balé Juliana de Oliveira, de 37 anos. Segundo ela, o grupo permaneceria na Paulista apesar de má vontade da polícia. “Não temos medo do pessoal do lado de lá”, falou, referindo-se à turma que estava em frente da Fiesp.

O outro grupo era formado por pessoas que estavam deixando seus trabalhos e decidiram relaxar antes de ir pra casa. Em alguns bares, as televisões já estavam ligadas na sessão do Senado. “Vou acompanhar esse processo todo tomando uma cervejinha. Acho que vamos trocar o ruim pelo pior. Só bebendo um pouco para essa história descer mais suave”, disse o advogado Paulo Ferro, de 61 anos.

Perto dele, dois amigos quiseram ter certeza de que o bar deixaria uma TV ligada no jogo da Copa Libertadores entre São Paulo e Atlético Mineiro, que jogaram ontem à noie no Morumbi. “Tenho interesse por política, mas sou um mineiro perdido em São Paulo, quero ter o direito de torcer contra o Galo”, brincou o cruzeirense Ari Matoso, de 54 anos.

No lado do impeachment, o som do telão foi ligado por volta das 20h10 – no meio do discurso do senador Álvaro Dias. Muitos mostraram desânimo assim que entenderam que a sessão ainda teria muitas horas de duração. “A gente aguentou 13 anos de PT. Podemos aguentar uma madrugada para vê-los cair, disse o advogado Rafael Montes, de 32 anos.

No telão, uma propaganda do PC do B mexeu com ânimos de quem ainda tem medo do comunismo, do bolivarianismo e outros que tais. O deputado Orlando Silva, um dos principais nomes do partido, foi xingado durante os 30 segundos do comercial – e a foice o martelo da bandeira do partido também.

O grupo contrário ao impeachment, que não tinha telão, consultava os celulares para acompanhar os discursos via redes sociais. “Vamos aguentar firme, mesmo sabendo que o circo está armado”, disse a publicitária Ana Miranda, de 28 anos.

Tensão. A tensão entre os dois grupos cresceu um pouco antes das 22h. A tentativa de "cruzar a linha inimiga" fez com que um princípio de confusão explodisse na altura da Alameda Casa Branca.

Um grupo favorável ao impeachment foi reclamar que "os petistas" estariam avançando para além do MASP. A partir daí, pequenas invasões e provocações ocorreram dos dois lados. A polícia precisou reforçar o efetivo e demarcar a divisão entre grupos. Ninguém foi detido.

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