Na onda migratória, Patrícia Saboya se filia ao PDT

Na última quinta, a vereadora Soninha também anunciou sua transferência do PT para o PPS

Reuters

28 Setembro 2007 | 19h49

A uma semana do fim do prazo para novas filiações partidárias, a senadora Patrícia Saboya (CE), que sempre seguiu os passos do ex-marido, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), desistiu da legenda socialista. Ela se filiou ao PDT nesta sexta-feira, 28, por não ter conseguido o apoio do governador Cid Gomes (PSB-CE) à sua candidatura ao comando da capital cearense. Seu ex-cunhado prometeu apoiar a petista Luizianne Lins, atual prefeita da cidade e pré-candidata à reeleição.  "Eu não tinha outra alternativa. Estava muito difícil permanecer sem a chance de uma legenda para concorrer à prefeitura. Se ficasse, seria constrangedor para mim e para o governador. No PDT, não saio da minha esfera ideológica", disse ela à Reuters.  Além de Patrícia, a vereadora Soninha Francine confirmou ao estadao.com.br na última quinta-feira a transferência para o PPS e o projeto de se candidatar à Prefeitura de São Paulo nas eleições municipais de 2008. O vôo dos políticos migratórios atingiu velocidade de cruzeiro em busca de novos ninhos partidários e o movimento de mudança só será contido se o Supremo Tribunal Federal(STF) decidir na quarta-feira que o mandato é do partido e não do parlamentar.  As negociações nos Estados e no Congresso estão a todo vapor, mas apesar das agressivas campanhas para atrair novos correligionários, partidos ainda não soltaram completamente o freio das futuras adesões de olho no STF. A mais alta corte brasileira pode decretar a perda de mandato do parlamentar que mudou de sigla desde a última eleição.  Dificuldades locais ajudam a provocar uma enxurrada de divórcios partidários, mas não são a única razão. A oposição, segundo cálculos feitos pelas bancadas na Câmara e no Senado, tende a perder mais soldados que o governo.  "A opção de mudar de partido é conveniência pessoal. Essa análise tem que considerar as contingências regionais. Ser próximo ou distante do governo é conveniência e iniciativa pessoal", disse à Reuters o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro.  "O deputado ou o senador quer ser candidato, mas o partido não quer deixar. Aí ele muda (...) Isso desequilibra as forças no Congresso. Se o Democratas (ex-PFL), por exemplo, perder três ou quatro senadores, fica mais fraco. O governo, por outro lado, mais forte", analisou o cientista político David Fleisher.  As migrações articuladas agora tendem para legendas da base de sustentação do Executivo, mais rico em espaço e em vantagens eleitorais, avaliam políticos.  Os destinos mais comuns são PR (fusão entre PL e Prona), PP e PTB, três partidos que integram a coalizão montada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste segundo mandato.  "Situações locais influem nas mudanças, mas, em geral, escondem outras motivações", afirmou o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). "O governo precisa aprovar a CPMF, mas está mal no Senado. Por isso, procura nomes na oposição para ficar menos dependente do PMDB", acrescentou.  Questões locais  Nos lugares onde o jogo político é mais complicado, o troca-troca é mais intenso. A morte de Antônio Carlos Magalhães, por exemplo, desintegrou parte de sua base no Democratas da Bahia. Por esse motivo, o senador Cesar Borges (DEM), tradicional carlista, decidiu ir para o governista PR. Ele muda de lado para ter uma chance na corrida municipal.  Diversos parlamentares do DEM ameaçaram deixar o partido. No senado, o número é expressivo: pelo menos outros seis senadores já ventilaram a possibilidade de buscar diferentes alternativas partidárias.  Os senadores Romeu Tuma (SP), Edison Lobão (MA), Demóstenes Torres (GO), Jayme Campos (MT) e Jonas Pinheiro (MT) cogitaram abandonar a sigla.  O líder da bancada, senador José Agripino (RN), diz que a lista não passa de "especulação", mas reconhece que as "precariedades locais de espaço e o canto da sereia que o governo faz" contribuem para a eventual diáspora.  "O governo não participa dessas mudanças partidárias. Se isso fosse regra, nós não teríamos deputados e senadores da base indo para outros partidos da base", defendeu José Múcio.  No PSDB, o senador Flexa Ribeiro (PA), suplente, alega não ter espaço no partido. Seu futuro, no entanto, ainda é incerto.  Na Câmara, o cenário segue a mesma lógica histórica. Muitos deputados da oposição estão migrando para a base do governo. Mas partidos governistas também vêm perdendo alguns de seus soldados.   O senador Flavio Arns (PT-PR) também promete abandonar o barco petista, mas não deve sair da base aliada.  Os novos movimentos aguardam a deliberação do STF. Três dos 11 ministros da Suprema Corte também integram o Tribunal Superior Eleitoral, que decidiu que os mandatos pertencem aos partidos. (Colaborou Lucas Pretti, do estadao.com.br)

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