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Na hora do aperto

Uma grande reunião estava marcada para o final da tarde de ontem, no Palácio da Alvorada, com todos os partidos aliados para discutir os rumos da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2014 | 02h02

Os jornais de hoje naturalmente trazem os resultados. Antes de entrarmos no mérito, cumpre mais uma vez apontar o demérito da questão: o governo continua a usar dependências oficiais para fins eleitorais sem ser legalmente admoestado.

Vai ver em algum momento revogaram-se as disposições em vigor e não fomos avisados de que já é permitido a todos nos locupletarmos. De qualquer modo, melhor andar na linha ainda que governantes não o façam.

O toque de reunir da presidente à sua tropa não quer dizer que o PT pretenda transferir nem dividir com os parceiros (PMDB, PDT, PC do B, PSD, PRB, PROS e PRB) o comando da campanha. As decisões fundamentais continuam nas mãos do núcleo original: Lula, Rui Falcão, Edinho Silva, Franklin Martins, João Santana e Gilles Azevedo.

Portanto, de fundamental seguramente nada de novo surgiu naquele front. A razão do chamamento é a necessidade de manter unida a tropa, ou o que resta dela. Até agora era relegada a um plano totalmente subalterno.

Mas, como a coisa começa a ficar muito apertada, e não só nas pesquisas, mas no mundo bastante real da economia em que o governo um eterno otimista já vê sinais de recessão, um dos jeitos é recorrer aos parceiros para pedir socorro. Legítimo, pois não seria aos inimigos que o governo poderia apelar.

Há um detalhe de ordem prática, porém: Talvez seja um pouco tarde. Não do ponto de vista dos caciques, os líderes que se reuniram ontem com a presidente no Alvorada. Com certeza saíram de lá respondendo ao toque de reunir com discurso de ordem unida.

O problema está nas bases. Estão fazendo o que bem entendem, conforme pudemos observar pela peculiar mescla de alianças. Consequência da lei eleitoral permissiva, da fragilidade dos partidos, mas também - e muito provavelmente, sobretudo - do tratamento recebido nos últimos anos.

Da presidente em particular e do PT em geral. Na época em que se começou a conversar sobre a formação de alianças nos Estados Dilma não estava nessa situação em termos de avaliação popular. Sua popularidade estava em queda (desde o ano passado), mas a oposição ainda não havia dado sinal de vida.

Com a situação relativamente tranquila no plano federal, o PT tratou de se garantir no âmbito estadual que é de onde sai a formação do Congresso. Precisava eleger muitos deputados federais e o maior número possível de senadores para "quebrar" a força no PMDB no Parlamento.

Movimento mais que legítimo, porém. Ocorre que o PMDB achou por bem reagir em legítima defesa quando foi esnobado (assim como vários outros partidos da aliança) pelo PT que decidiu lançar candidatos próprios aos governos dos Estados onde os aliados reivindicavam o apoio como contrapartida ao tempo de televisão dado à candidatura de Dilma.

Isso provocou a dispersão dos parceiros que se aproximaram da oposição no plano regional. Exemplo mais vistoso é o do Rio de Janeiro. O PMDB pediu que o PT não lançasse candidato; depois passou a exigir e, em seguida, ameaçou romper. A seção fluminense não conseguiu desfazer a aliança nacional, mas pede votos de maneira aberta para Aécio Neves.

Em São Paulo agora o PT quer propor um acordo ao PMDB para que o partido ajude Dilma "para valer". Mas isso só depois que o candidato do partido, Paulo Skaf, ficou numa posição muito melhor que a de Alexandre Padilha do PT.

Tais apelos devem se repetir em outras localidades onde haja os tais palanques duplos, triplos ou múltiplos. Em 2010, aliados nessa situação foram abandonados pelo PT no curso da campanha. Agora são eles que decidem se relevam ou se devolvem o menosprezo.

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