Na França, Serra volta a defender semipresidencialismo

Ministro das Relações Exteriores elogia sistema político de Cabo Verde e Portugal, países que têm presidente e primeiro-ministro  

Andrei Netto, CORRESPONDENTE , O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2016 | 11h44

PARIS - Depois de passar por Cabo Verde, em sua primeira viagem internacional fora das Américas como novo ministro das Relações Exteriores, José Serra voltou a defender nessa segunda-feira, 30, a adoção do semipresidencialismo no Brasil. O chanceler se recusou a comentar a instabilidade política em Brasília, mas fez elogios rasgados ao sistema político do país africano e ao de Portugal, países que têm presidente e primeiro-ministro.

Serra esteve na sexta-feira, 27, e no sábado, 28, em Cabo Verde, primeira escala de sua viagem internacional que tem a França como segunda etapa. Na capital, Praia, encontrou-se com o presidente, José Carlos Fonseca, e com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, quando tratou de assuntos como a cooperação nas áreas de saúde, educação e militar e a realização do congresso dos países de língua portuguesa.

 Ao comentar sobre a viagem, derivou de forma espontânea para o sistema político do país. "Eles têm um sistema semipresidencialista, que é precisamente o que eu acredito que seria o melhor para o Brasil. Tem o primeiro-ministro, que cuida do governo, e o presidente, que cuida dos assuntos do Estado", descreveu.

Questionado se acharia adequada a adoção do modelo semipresidencialista como o da França no Brasil, Serra ponderou: "Como em Portugal, que talvez seria o mais parecido". "É semi porque tem eleição direta para presidente. O presidente não é eleito pelo congresso, como é na Itália ou na Alemanha", afirmou.

Serra também rasgou elogios a Cabo Verde. "É um país que tem o segundo índice mais baixo de corrupção da África, é um dos três países de renda média na África. É quase um modelo do ponto de vista da região", reiterou.

Embaixadas. Sobre a perspectiva de fechamento de embaixadas do Brasil na África, e as especulações de que as representações em Serra Leoa e Libéria seriam as duas primeiras atingidas, o chanceler negou que haja qualquer decisão nesse sentido, e acusou a oposição do PT de inventar a informação. "Isso não tem nada a ver. É uma onda sem pé, nem cabeça. Eu apenas mandei fazer uma análise da utilidade e dos custos de cada embaixada. É uma providência elementar", justificou. "Como esse pessoal do PT não tem nada para falar a respeito do atual quadro, ficam caraminholando em torno dessas coisas."

O chanceler reiterou o interesse do Brasil em se aproximar da África. "Para nós, (a visita) foi um primeiro contato com a África, claro que em uma região bastante restrita, mas um começo de preparação para o encontro Brasil-África que faremos no ano que vem", disse. "A África subsaariana cresceu entre 2000 e 2010 ao ritmo equivalente ao dobro da América do Sul, e de 2010 a 2016 a um ritmo equivalente ao triplo. É um mercado crescente para nós e que nos interessa bastante."

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