Na Finlândia, Lula provoca saia-justa ao omitir nome de Renan

Senador recebe de finlândes convite como presidente do Congresso, mas Lula diz que vai repassá-lo a Chinaglia

Lisandra Paraguassú, do Estadão,

10 de setembro de 2007 | 19h54

Na semana em que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), enfrenta seu processo de cassação em plenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "esqueceu" sua existência, provocando uma saia-justa.  Em visita de Estado à Finlândia, Lula recebeu, do presidente do Parlamento finlandês, Sauli Niinistö, um convite para que o presidente do Parlamento brasileiro visitasse seus colegas nórdicos. De pronto, Lula afirmou que iria repassar o convite ao presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e não a Renan, que representa as duas Casas legislativas.  Veja também:  Veja a cronologia do caso Renan Íntregra do relatório que pede a cassação de Renan  Entenda as três frentes de investigação contra Renan   A Finlândia tem um Parlamento unicameral (uma só Casa). Já no Brasil, o equivalente seria o Congresso Nacional, formado por Câmara e Senado, e cuja presidência, nas sessões conjuntas, é exercida pelo presidente do Senado - atualmente o peemedebista. Ao dizer que repassaria o convite ao presidente da Câmara, Lula subtraiu de Renan parte de suas funções.  O engano do presidente não passou despercebido. Os auxiliares que o acompanharam na visita ao parlamento finlandês sorriram com a afirmação de Lula, feita ao final de um discurso de agradecimento a Niinistö.  Apoio do Planalto  Sem apoio declarado do Planalto, na véspera de sua condenação ou absolvição pelo Senado, Renan tem recorrido ao seu site pessoal (http://www.senado.gov.br/web/senador/RenanCalheiros) para mostrar que não foi abandonado pelo Palácio. Na página principal do site, Renan ostentava uma foto dele com Lula.  Na linha "somos eternos bons amigos", Renan explora declaração de Lula de que o peemedebista tenha garantido seu direito de defesa e que não concordava com a condenação prévia do presidente do Senado.  Antes de embarcar para viagem a países nórdicos, Lula afirmou que abriria o voto. Nesta quarta, a sessão que vai votar recomendação do Conselho de Ética pela cassação de Renan será fechada, assim como a votação. O voto secreto é previsto na Constituição e a sessão secreta em casos de perda de mandato é estabelecida pelo 197 do regimento interno do Senado.  Renan foi vendo o apoio do Planalto minguar à medida que apareciam mais denúncias envolvendo seu nome. O peemedebista será julgado em relação ao primeiro de uma série de três processos que tramitam contra ele na Casa.  Além de ser acusado de ter suas despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior - e que chegará ao fim nesta quarta com a decisão do Plenário -, Renan é suspeito de ter favorecido a cervejaria Schincariol junto ao INSS e à Receita Federal. O peemedebista também é acusado de ter comprado, utilizado laranjas, junto com o usineiro João Lyra um jornal e uma rádio em Alagoas.  Fora os três processos, Renan também pode responder a mais uma investigação. Na semana passada, o PSOL encaminhou à Mesa Diretora do Senado pedido de apuração em relação à mais recente denúncia, a de que o presidente do Senado participaria de esquema de desvio de dinheiro em ministérios chefiados pelo seu partido, o PMDB.  Além de exibir a foto em primeira página com Lula, Renan mostra em sua home page na internet uma série de apoios que tem recebido por vários lugares do País. São pessoas, que dizem acreditam na inocência do peemedebista. Algumas são identificadas apenas por seus prenomes ou por apelidos.  (Com Ana Paula Scinocca, do Estadão)

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