Na FAO, Lula faz dura defesa do etanol e critica subsídios

O presidente Luiz Inácio Lula daSilva fez uma dura defesa do etanol brasileiro e uma críticaenfática aos subsídios dados aos agricultores de paísesdesenvolvidos em discurso na reunião da Organização das NaçõesUnidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) nestaterça-feira. Em sua fala, o presidente apontou os subsídios agrícolascomo um dos responsáveis pela recente alta nos preços dosalimentos e afirmou que a acusação de que a produção do etanoltem contribuído para esse fenômeno "não resiste a uma discussãoséria" e que o argumento se trata de uma "cortina de fumaçalançada por lobbies poderosos, que pretendem atribuir àprodução de etanol a responsabilidade pela recente inflação dopreço dos alimentos". Ao defender o etanol brasileiro, produzido a partir dacana-de-açúcar, Lula comparou o produto ao colesterol ecriticou o biocombustível produzido a partir de alimentosbásicos, como o milho. "Há quem diga que o etanol é como o colesterol. Há o bometanol e o mau etanol. O bom etanol ajuda a despoluir o planetae é competitivo. O mau etanol depende das gorduras dossubsídios", afirmou. "Não sou favorável a que se produza etanol a partir dealimentos, como no caso do milho e outros. Não acredito quealguém vá querer encher o tanque do seu carro com combustível,se para isso tiver de ficar de estômago vazio." Lula aproveitou o discurso na reunião da FAO, que tem comoprincipal ponto de sua agenda a alta nos preços dos alimentos,para rebater com termos duros os críticos dos biocombustíveis. "Vejo com indignação que muitos dos dedos apontados contraa energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e decarvão", criticou. "Vejo com desolação que muitos dos queresponsabilizam o etanol --inclusive o etanol dacana-de-açúcar-- pelo alto preço dos alimentos são os mesmosque há décadas mantêm políticas protecionistas." De acordo com o presidente, que tem feito do etanol um dospontos principais de sua política externa, "a superação dosentraves atuais requer uma conclusão bem-sucedida, o quantoantes, da Rodada de Doha da OMC (Organização Mundial doComércio)". "Os subsídios criam dependência, desmantelam estruturasprodutivas inteiras, geram fome e pobreza onde poderia haverprosperidade. Já passou da hora de eliminá-los", defendeu. Recentemente, críticos dos biocombustíveis, particularmentedo etanol brasileiro, têm afirmado que o cultivo do produto temavançado sobre plantações de alimentos. Para Lula, "essascríticas não têm qualquer fundamento". "Desde 1970, quando lançamos nosso programa de etanol, aprodução do etanol de cana por hectare mais do que dobrou",disse. "Por outro lado, de 1990 para cá, nossa produção degrãos cresceu 142 por cento. Já a área plantada expandiu-se nomesmo período apenas 24 por cento", afirmou. Outra crítica rebatida por Lula no discurso foi a de que aslavouras de cana têm avançado sobre a floresta amazônica. Opresidente considerou o argumento "sem pé nem cabeça" eatribuiu a informação a pessoas "que não conhecem o Brasil". Lula citou dados, segundo os quais apenas 0,3 por cento daárea total de canaviais do país está na região Norte, queabriga a maior parte da Amazônia. "Ou seja, 99,7 por cento da cana está a pelo menos 2 milquilômetros da floresta amazônica. Isto é, a distância entrenossos canaviais e a Amazônia é a mesma que existe entre oVaticano e o Kremlin", comparou o presidente, citando que oBrasil tem 77 milhões de hectares de terras agrícolas, fora daAmazônia, que ainda não estão sendo utilizados.

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