Na Europa, Brasil debate presença no Haiti

Governo brasileiro quer ampliar campo de ação do Itamaraty em cenários internacionais

Gabriel Manzano Filho, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

Na visita que fará à Noruega, na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva debaterá, com o primeiro-ministro da Noruega, Jans Stoltenberg, formas de atuação diplomática no Haiti e no Oriente Médio - parte de um esforço brasileiro para ampliar o campo de ação do Itamaraty em cenários internacionais. A Noruega tem apoiado, em outros encontros, o empenho brasileiro em ter um papel mais direto em tarefas como negociar a paz, reintegrar populações e reconstruir politicamente regiões afetadas por guerras. O Brasil exerce algum papel não só no Haiti como em Timor Leste, mas tem planos mais ambiciosos e quer um lugar nas conversas sobre tais assuntos em outras regiões. O encontro de Lula com Stoltenberg terá uma novidade: a participação de um especialista brasileiro que não é do Itamaraty nem das Forças Armadas - o professor Clóvis Brigagão, do Centro de Estudos das Américas, ligado à Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Brigagão, um estudioso de questões da segurança mundial, ?"vendeu" ao governo a idéia de que o Brasil precisa, com urgência, de profissionais da sociedade civil participando dessas atividades, hoje restritas a representantes oficiais."Estamos atrasados nisso", diz ele. "Muitos outros países, mesmo no continente, como México e Argentina, têm mais gente de fora do governo dedicada a essas questões". E dá um exemplo prático: na recente crise entre Brasil e Bolívia, "não havia mediação de pessoas qualificadas. Havia as posições dos dois governos e pronto". No Haiti e no Timor Leste, do mesmo modo, a ação de brasileiros é programada por autoridades do governo. "Faltam acadêmicos capacitados para tal missão", completa. "Temos cada vez mais empresas indo para o exterior e precisando de todo tipo de assessoria e isso até agora não existiu."Para levar adiante sua idéia, Brigagão está montando, aos poucos, "grupo de análise e prevenção de conflitos". São especialistas de quatro áreas - direito internacional, governança e transformações pós-conflitos, paz e segurança regional e prevenção e resolução de conflitos armados. Eles constituem uma base para a futura Escola de Promoção de Paz Sérgio Vieira de Mello - uma homenagem ao embaixador brasileiro que atuava pelas Nações Unidas e foi morto em um atentado em Bagdá, no Iraque, em 2003.De Oslo o professor vai para Bilbao, onde visitará uma dessas "escolas de negociação de conflitos", da União Européia.Brigagão também estará com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, no dia 26, para apresentar um projeto que ele chama de "política integrada da Defesa". "Até agora", diz ele, "cada uma das três armas tem tido seu próprio orçamento, sua despesa e suas compras. Isso tem de ser parte de uma política unificada, que até agora não existiu".

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