Na estreia, Ideli falta a encontro e irrita líderes

Novo comando político do governo começa debaixo de desconfiança e cobranças de aliados, principalmente na Câmara

Denise Madueño e Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2011 | 16h30

Na estreia no cargo da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti patinou. Contra as expectativas, Ideli não compareceu nesta terça-feira, 14, ao almoço com os líderes da base na Câmara, deixando-os irritados. Em vez disso, no mesmo horário, almoçava com parlamentares da bancada do PR no Palácio da Alvorada.

 

Para tentar diminuir o estrago, a ministra convidou os aliados, no fim da tarde, para um encontro no Palácio do Planalto. O novo comando político do governo começou debaixo de muita desconfiança, principalmente na Câmara. Os líderes cobram resultados concretos das demandas paradas no Palácio do Planalto.

 

Em contraste com a ausência de Ideli, o ex-articulador político Luiz Sérgio, presente no encontro, foi aplaudido pelos líderes. Recém-deslocado para a pasta da Pesca, Luiz Sérgio sempre participou das reuniões dos líderes da base realizadas durante almoço às terças-feiras. Ele agradeceu o apoio que recebeu dos aliados. "A ministra tem de entender que o Legislativo não é o Senado. Se ela acha que o Legislativo é o Senado, está enganada", reclamou o líder do PTB, Jovair Arantes (GO).

 

Com receio do comportamento da base, o governo trabalha para esvaziar a Câmara até o fim do mês, usando as festas juninas como pretexto para não haver votações. A estratégia é impedir que chegue ao plenário uma agenda considerada "espinhosa" pelo governo Dilma Rousseff. No almoço, os líderes decidiram insistir em duas propostas: a emenda constitucional que cria um piso salarial nacional para os policiais civis, militares e bombeiros (conhecida por PEC 300) e a regulamentação dos gastos com a saúde definidos pela Emenda Constitucional 29, sem a criação de uma contribuição para financiá-los.

 

Comissão. A pressão pela votação desses projetos se repetiu na reunião de todos os líderes partidários com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).

 

Para fugir da votação da PEC 300, Maia anunciou a criação de uma comissão para estudar o projeto. A proposta foi, no entanto, bombardeada pela oposição. "Essa emenda já foi votada em primeiro turno e não pode mais ser alterada. Não há mais o que discutir apenas votar sim ou não", disse o líder do DEM, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA).

 

A ideia é votar hoje a medida provisória com a inclusão da proposta que muda as regras de licitação para obras da Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. "A semana que vem tem as tradicionais festas juninas, então, a tendência é que tenhamos dificuldades em ter votações", afirmou Maia. Depois, o Planalto vai investir na aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que estabelece os parâmetros para a elaboração do Orçamento de 2012.

 

Os deputados estão tentando articular a votação de projeto de lei que anistia os 434 bombeiros do Rio de Janeiro, acusados pelo Ministério Público por crime de motim. A votação da proposta esbarra, no entanto, na pauta trancada da Câmara por um projeto que tramita em regime de urgência por determinação do governo. "Não vamos tirar a urgência do projeto", garantiu o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). "Esse projeto tem de ser visto com cuidado. A anistia se dá para quem foi condenado e nenhum bombeiro foi condenado", argumentou. Todos os líderes assinaram o pedido de urgência para votação da anistia.

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