Na época, candidato defendeu prefeito

Alckmin liderou cruzada para convencer Serra a aceitar Kassab como vice

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

20 de setembro de 2008 | 00h00

Ao afirmar que em 2004 o candidato José Serra, indicado à prefeitura pelo PSDB, inicialmente não queria em sua chapa Gilberto Kassab, cotado para vice pelo então PFL, o tucano Geraldo Alckmin, que era à época governador do Estado, contou apenas metade da história. A outra metade, certificam inúmeras fontes do PSDB, é que Alckmin foi o maior defensor de Kassab e deflagrou uma cruzada para convencer Serra a aceitá-lo como vice.Alckmin foi o primeiro tucano a saber que Kassab seria o vice. Ouviu a informação de seu próprio vice, Cláudio Lembo, que viera de uma reunião da cúpula do PFL. A essa reunião, feita na casa de Kassab, compareceram, além do dono da casa, o então senador Jorge Bornhausen, presidente nacional do partido, Guilherme Afif Domingos, Lembo e o deputado José Aristodemo Pinotti. À época, Lembo disse ao Estado que Alckmin ouviu a informação "e se mostrou contente".O Palácio dos Bandeirantes deixou vazar o nome de Kassab antes de avisar Serra da indicação do PFL. O que mais irritou Serra não foi uma rejeição ao nome de Kassab, mas conhecer o nome de seu vice pela imprensa. O então candidato tucano a prefeito se refugiou em Brasília durante vários dias. Do palácio, Alckmin comandou uma operação para acalmar o correligionário e trazê-lo de volta a São Paulo. Pessoas ligadas a Serra, como o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) e o hoje secretário Andrea Matarazzo, foram mobilizadas para convencê-lo.Serra queria que o vice fosse o então secretário de Alckmin Lars Grael; o preferido de Alckmin era outro secretário, Alexandre Moraes. Mas, quando o PFL decidiu-se por Kassab, Alckmin endossou a indicação sem nenhum questionamento, até porque estava interessado, à época, em pavimentar uma sólida aliança com o DEM para fortalecer sua possível candidatura - que depois se confirmaria - à Presidência, em 2006.Ontem, Lembo disse que a relação de Alckmin com o PFL e seu sucedâneo, o DEM, sempre foi boa. "Engraçado, ele nunca teve problemas com o DEM", afirmou Lembo. O ex-senador Jorge Bornhausen revelou ao Estado que em 2004 Kassab era mais próximo de Alckmin do que de Serra, até porque negociava com ele desde 2002. "Mas logo depois Serra percebeu que podia confiar em Kassab. Tanto é assim que eles são estreitamente ligados até hoje."

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