Dida Sampaio / AE - 03/12/2011
Dida Sampaio / AE - 03/12/2011

Na 'Economist', Dilma apresenta modelo brasileiro como solução para a crise

Artigo da presidente defende transferência de renda e participação maior do governo na economia

estadão.com.br

05 de dezembro de 2011 | 15h36

A presidente Dilma Rousseff defendeu o controle da economia pelo Estado e os programas de transferência de renda no País - características de um modelo de combate à crise financeira mundial apresentados em um artigo publicado na revista britânica "The Economist". Dilma afirma que os governos devem agir para evitar a instabilidade econômica e a desigualdade de renda provocadas por mercados sem regulação.

 

O artigo integra a revista "The world in 2012", a mais recente edição de um projeto anual da "Economist" com previsões e comentários sobre a economia e a política mundiais.

 

No texto, a presidente afirma que os países desenvolvidos podem tomar como lição o "modelo brasileiro" de crescimento, apoiado em políticas salariais sólidas e o combate às desiguladades sociais.

 

"O acúmulo de dívidas não substitui o aumento de salários, e a autorregulação do mercado não substitui a regulação governamental", escreveu. "O mundo rico agora busca um modelo econômico mais equilibrado e existem algumas políticas comuns que todos deveríamos perseguir em 2012 para construir democracias sustentáveis e inclusivas."

 

Sem citar especificamente o nome de programas como o Bolsa Família, Dilma avalia que a transferência de renda para os mais pobres ajudou a expandir o consumo no Brasil e criou novas oportunidades de investimento. "Hoje, o mercado consumidor crescente do Brasil sustenta o desenvolvimento econômico não só do Brasil, mas de toda a sua região", afirma.

 

Para a presidente brasileira, o mundo precisa elevar salários ao aumentar a produção

para beneficiar a classe média. "O mercado, por si só, não melhora a distribuição de renda. É necessária a ação dos governos."

 

No artigo da "Economist", Dilma critica a guerra cambial e o protecionismo nas disputas comerciais entre os países.

 

Após destacar uma transformação na balança de distribuição de riquezas no mundo e a emergência de países como o Brasil, Dilma defende também a reforma de instituições internacionais - como a ONU, o FMI e o Banco Mundial. "Os países em desenvolvimento precisam ser ouvidos, e suas preocupações e contribuições devem ser levadas em consideração", afirma.

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