Na costa do Rio, jogo de estratégia

Em simulação, submarino tenta conter frota de navios

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

22 de setembro de 2008 | 00h00

A missão do submarino Timbira durante a Operação Atlântico é impedir o movimento, no litoral do Rio, da esquadra formada por quatro navios de transporte apinhados de fuzileiros navais, escoltados por uma dezena de corvetas e fragatas com a tarefa de simular um ataque anfíbio à costa capixaba nesta semana. O porta-aviões São Paulo, que está em manutenção, não participa. Equipado com sofisticados sonares, o submarino tem condições de mapear a disposição da esquadra a ponto de identificar até o número de pás de um navio e surpreender ao mirar no elemento de maior valor para o inimigo. Navios de guerra equipados com canhões e mísseis podem se partir ao meio em poucos segundos com um único torpedo de um submarino.O efeito inibidor que um submarino como o Timbira provoca seria muito maior no caso de uma unidade nuclear. A propulsão atômica dá uma velocidade muito superior à diesel-elétrica dos submarinos convencionais, que precisam subir à superfície para recarregar baterias.É nesse momento que os navios de guerra podem abatê-los para ir em frente. A ilimitada autonomia do reator nuclear lhe dá condições de pousar "invisível" no fundo do mar, por quanto tempo for necessário, e de se deslocar rapidamente por toda a costa. No entanto, ele é mais ruidoso, o que faz mais difícil o desafio da ocultação.VERBASA Operação Atlântico dará mais um argumento para o pleito dos militares por mais recursos para a aquisição de meios para garantir a soberania da exploração das riquezas dos 8,5 mil quilômetros de costa da Amazônia Azul. O Brasil prospecta mais de 80% do seu petróleo e gás no mar, via de quase todo o comércio exterior. A pesca é um setor estratégico de potencial ainda inexplorado, assim como o extrativismo mineral para além do petróleo.Em vários países, depósitos de minerais como ouro, manganês, ferro, níquel e cobre são explorados no mar. Na vertente ambiental, os militares também enxergam valor na diversidade biológica do mar e o seu estudo.O Ministério da Defesa quer que a Petrobrás e outras exploradoras de petróleo contribuam com o reaparelhamento da Marinha, estimado em R$ 5,8 bilhões. A Força já fica com 15% dos royalties da produção, mas tem se queixado do contingenciamento e quer ampliar a cota com o pré-sal.

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