Nilton Fukuda/ Estadão
Nilton Fukuda/ Estadão

Na Copa, candidatos entram com ‘7 a 1’ contra

Derrota da seleção para Alemanha vira metáfora para expressar mazelas do País

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2018 | 04h00

O placar avassalador da vitória alemã sobre a seleção brasileira nas semifinais da Copa do Mundo de 2014 se transformou em uma espécie de metáfora, uma imagem usada com frequência para explicar nossas piores mazelas. Nada resume melhor o sentimento de frustração do que a expressão “nosso eterno 7 a 1”.

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Na política, claro, o “7 a 1” continua impregnado em cada desdobramento da Operação Lava Jato – e a cada novo caso de corrupção revelado pelo noticiário. Além disso, os símbolos ligados à Copa também sofreram um desgaste considerável. É o caso da camisa da seleção brasileira, que desde os protestos pelo impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff virou um carimbo ideológico – principalmente no embate entre “coxinhas” e “mortadelas”. 

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Não à toa, os pré-candidatos devem torcer neste ano de forma discreta, em ambientes controlados e longe do eleitorado/torcedor. Ao serem questionados sobre agendas públicas durante os jogos do Brasil, eles foram praticamente unânimes em suas respostas: os jogos serão assistidos na companhia de parentes.

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A assessoria do deputado Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que nenhuma agenda pública será marcada para os dias de jogos do Brasil. O pré-candidato Flávio Rocha (PRB) segue a mesma linha e diz que durante os jogos vai “parar para torcer para o Brasil”.

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Os outros pré-candidatos deram respostas parecidas. Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL), Manuela D’Ávila (PCdoB), Rodrigo Maia (DEM), João Amoedo (Novo) e Levy Fidelix (PRTB) não têm previsão de agendas públicas para os dias de jogos do Brasil – ainda que todos admitam que a campanha e suas tratativas continuarão durante o período do evento esportivo. Marina Silva (Rede) não se manifestou. 

Para o sociólogo Rogério Baptistini (Mackenzie), “não existe clima para políticos tentarem ‘aparecer’ durante a Copa”. Segundo o professor, os pré-candidatos têm optado por aparições públicas controladas. “O evento está manchado pela crise política. Os pré-candidatos não querem ficaria exposto a vaias e xingamentos”, disse.

Para o jornalista, historiador e editorialista do Estado Marcos Guterman, autor do livro O Futebol Explica o Brasil: Uma História da Maior Expressão Popular do País (Editora Contexto), ainda é cedo para afirmar que os pré-candidatos se manterão distantes da seleção brasileira. “Os estrategistas de campanha estão aguardando. Se a seleção for bem, o futebol vai animar e apaixonar o eleitorado. A partir daí, vamos ter uma disputa pela narrativa da seleção.”

O professor de curso de pós-graduação sobre a história sociocultural do futebol, Flávio de Campos (USP) não descarta uma tentativa de uso político de nossa única unanimidade: o técnico Tite, que já rechaçou, em entrevistas, qualquer aproximação com o universo político. “Se a seleção avançar, jogar bem, podemos assistir à disputa pelo maior símbolo dessa Copa, que hoje é o técnico Tite”, disse Campos.

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