Na capital baiana, aperto no orçamento é queixa comum

Agência de empregoem Salvador atende, emmédia, 600 pessoas por dia em busca de trabalho com carteira assinada

MURILO RODRIGUES ALVES, ENVIADO ESPECIAL / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2015 | 11h53

A diarista Maria das Neves, de 44 anos, acordou às 4 horas para procurar emprego. Demorou uma hora e meia para chegar a uma agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine), onde recebeu a senha 279. Saiu às 11h30 com a informação de que não havia vaga. A maior agência do Sine de Salvador atende, por dia, em média, 600 pessoas.

Maria conta que, até 2014, fazia quatro faxinas por semana. O dinheiro das diárias, mais o Bolsa Família, de R$ 260, e o salário da filha, dava para pagar as contas da família, de quatro filhos. Desde o início do ano, porém, Maria só consegue fazer uma faxina por semana e por isso decidiu procurar emprego com carteira assinada. "Não confio nela (presidente Dilma Rousseff). Torço para que o Lula volte e coloque o Brasil no caminho certo de novo", diz.

"Votei na Dilma por causa dele (Lula), mas foi a maior decepção", diz o montador de andaimes Carlos Alberto de Jesus. Ele foi demitido em novembro do ano passado. O seguro-desemprego acabou e a renda familiar agora depende do salário do filho mais velho, que trabalha em um supermercado. O caçula, de 18 anos, faz um curso do Pronatec. Aos 50 anos, Carlos Alberto de Jesus se diz "decepcionado" com o governo. "Sem emprego, o País para. Tenho medo de onde isso vai parar."

Desde que foi demitido, há um ano, Adevilson Gonçalves dos Santos, de 38 anos, conseguia pagar as contas fazendo "biscate" de pedreiro. Agora, porém, não consegue trabalho. "Não estou conseguindo pagar as contas." Para ele, o emprego sumiu com a Operação Lava Jato. "A roubalheira vem de muito tempo, mas com ela (Dilma) a coisa explodiu e paralisou o País."

Formação. Aos 32 anos, o jornalista Adriano Pinheiro, que faz pós-graduação em psicologia comportamental, está há seis meses desempregado. "Mesmo com minha formação estou disputando uma vaga entre cem candidatos para ser vendedor?", questiona. Ele diz, porém, que é graças ao Fies que consegue cursar a pós-graduação com bolsa integral.

Depois de um ano e dois meses de procura, Alcélia Silva Salomão, de 34 anos, acha que desta vez será contratada como recepcionista. No Sine, ela participou da penúltima etapa do processo seletivo. Alcélia não sabia quantas pessoas seriam contratadas, mas tinha esperança de, desta vez, deixar as estatísticas que apontam Salvador como a região metropolitana do País com o maior índice de desemprego. Alcélia diz que a vida, sem emprego, fez o orçamento familiar ficar "apertadinho".

Mesmo assim, diz que não está frustrada por ter votado em Dilma. "O outro seria pior, né?", diz, em referência ao senador Aécio Neves (PSDB), candidato derrotado na eleição presidencial de 2014. 

 

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