Na campanha de 2014, foi escolha do PSB por ‘exclusão’

Na eleição presidencial de 2014, o marqueteiro Lula Guimarães esteve no centro do turbilhão que foi a candidatura de Eduardo Campos, o acidente que o vitimou, a ascensão de Marina Silva e sua derrocada na reta final.

O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2016 | 10h43

O nome dele foi sugerido pelo marqueteiro argentino Diego Brandy, que era uma espécie de guru de Campos. A escolha de Lula foi por exclusão. “Marina tem horror a marqueteiro. Acha que eles constroem uma realidade paralela”, relembrou.

Quando começou a montar sua equipe de campanha, Campos sondou duas estrelas do mercado: Duda Mendonça e Renato Pereira. Ambos, porém, foram vetados pela então candidata a vice da chapa do PSB.

Brandy, então, acabou ocupando o espaço da comunicação, mas decidiu chamar Lula como parceiro. Em 2012, ele ganhou fama e prestígio em Pernambuco ao levar o tucano Daniel Coelho de 3% das intenções de voto para 27,65% dos votos válidos na disputa no Recife.

A dupla, então, montou uma grande estrutura em São Paulo e passou a trabalhar pelo candidato do PSB com o mote “Coragem para Mudar o Brasil”. Após o acidente aéreo, eles foram “herdados” por Marina Silva.

“Marina é uma pessoa doce e cordial, mas é muito dura politicamente. A coerência dela é tão inflexível que não aceitou aliança com (Geraldo) Alckmin em São Paulo. Faltou jogo de cintura e ela perdeu espaço no Estado”, diz Lula.

Pouco depois da morte de Campos, a comoção com o caso catapultou a ex-ministra para a liderança nas pesquisas de opinião, desidratando o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o nome favorito da oposição.

Alvo. A ascensão tornou a candidata um alvo fácil de ser batido. Marina tinha pouco mais de dois minutos de TV, enquanto a candidata à reeleição, Dilma Rousseff, 11 minutos. “Teve um dia que usaram 9 minutos para dar porrada na Marina”, lembra Lula.

Além do pouco tempo no palanque eletrônico, a campanha entrou em colapso. “O plano de governo era feito por tanta gente que era uma peneira”, conta o marqueteiro. “Além disso, a campanha da Dilma custou 15 vezes mais. A gente tinha pouca estrutura e equipe. Nossa campanha era muito frágil”.

À falta de tempo, dinheiro e estrutura somou-se a intransigência programática da Rede e a fragilidade física de Marina, que sentiu a pressão.

A queda nas pesquisas ocorreu na mesma velocidade que a subida, o que espantou doadores e deixou a campanha na penúria. A estratégia agressiva da campanha petista deu certo, mas por pouco não se voltou contra Dilma. No segundo turno, Aécio perdeu por pequena margem. / P.V.

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