Dida Sampaio/AE 23.11.2011
Dida Sampaio/AE 23.11.2011

Na Câmara, oposição questiona o legado de Haddad e antecipa disputa eleitoral em SP

Ministro incorporou o estilo de seu padrinho político e atacou o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso

Rafael Moraes Moura e Vera Rosa

23 de novembro de 2011 | 20h14

Mais no figurino de pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo do que como titular da Pasta de Educação, o ministro Fernando Haddad compareceu nesta quarta-feira, 23, à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados para falar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas logo foi lançado a um debate com a oposição sobre o legado à frente da Pasta, dando uma prévia do discurso de campanha pelo Palácio do Anhangabaú. No palanque improvisado, Haddad incorporou o estilo do padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e atacou o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

Capitaneada por deputados tucanos, a oposição cobrou de Haddad explicações sobre os problemas das últimas edições do Enem, aumentos no valor dos contratos do exame e até questionou se os episódios recentes (vazamento da prova em 2009; falhas na encadernação de provas, em 2010; vazamento de questões, em 2011) não sinalizariam um "fracasso de sua gestão".

"Nosso governo foi o que mais ampliou investimentos públicos em educação, não só em relação ao nosso passado, porque é covardia, mas em relação aos países mais avançados do mundo", defendeu-se Haddad, provocando a ira da oposição. O ministro também foi questionado sobre a ausência do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, que teria sido inicialmente chamado para auxiliá-lo na Câmara a pedido da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

Para se blindar dos ataques, Haddad armou-se de números: disse que o governo do PT elevou a taxa de investimento do PIB em educação para 5%, contra 3,9% da administração FHC, falou que o orçamento do Ministério da Educação saltou de R$ 19 bilhões, em 2003, para R$ 82 bilhões, no ano que vem - e exaltou a abertura de escolas técnicas abertas durante a sua passagem pela pasta.

"Não precisamos dar publicidade para mostrar a diferença de postura do poder público atualmente em relação à educação. Sobre isso, tenho segurança de que nesses últimos seis anos, o MEC nunca viu um aumento tão expressivo do orçamento, não há paralelo", disse.

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), condenou a postura do ministro, lembrando que "a gente tem de fazer uma política no País como corrida de bastão, quando recebe o bastão do antecessor e o entrega da maneira possível para o sucessor". "As condições que vocês herdaram o país foram tão fantásticas que o Brasil poderia estar muito melhor do que está agora. É fácil fazer discurso", criticou Nogueira. Depois, provocou o ministro: "Quantos erros o senhor acha que vai ter no Enem do ano que vem?".

Haddad ainda teve de se explicar sobre suas constantes idas a São Paulo nos finais de semana, quando participa de atividades para fortalecer a campanha. O ministro garantiu que não recebeu diárias do Ministério quando esteve na cidade e afirmou que viaja em avião da Força Aérea Brasileira, de carona.

Na noite desta quarta, Haddad jantaria com o presidente do PC do B, Renato Rabelo, em Brasília. O PT tenta fechar aliança com os comunistas, que falam em lançar o vereador Netinho de Paulo à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD). Ainda nesta semana, o ministro conversará com a presidente Dilma Rousseff. Ele pretende entregar o cargo na Esplanada em janeiro de 2012, quase três meses antes do prazo final para a desincompatibilização dos candidatos que vão disputar as eleições. O comando do PT pressiona Haddad para começar logo a campanha.

Antes de comparecer à Câmara, o ministro fez questão de prestigiar a cerimônia para anunciar o Programa Nacional de Apoio ao Sistema Prisional. Haddad pegou carona na solenidade, realizada no Ministério da Justiça, e disse que "a recuperação dos presos se faz pelo trabalho e pela educação". São Paulo é o Estado que tem o maior déficit de vagas em cadeias públicas. Ao todo, faltam 76.492 vagas, sendo 5.077 para mulheres. Pouco conhecido e a pouco tempo de deixar a Esplanada dos Ministérios para mergulhar na campanha, Haddad sabe que a segurança pública é um tema caro para os paulistanos.

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