Na Câmara, nem os petistas se entendem

Líder do governo na Casa, Vaccarezza tromba com o líder do PT, Paulo Teixeira; falta de sintonia se reflete em votações

Denise Madueño e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo

13 de maio de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - A votação do Código Florestal deixou mais evidentes as divergências entre os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e do PT, Paulo Teixeira (SP). Em pé de guerra desde o ano passado, os dois petistas ficaram em lados opostos: enquanto Vaccarezza assumiu a defesa do relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), Teixeira tentou atrasar a votação do projeto no plenário.

 

Nos bastidores, Teixeira chegou a ser acusado de trabalhar para obstruir o avanço das negociações em busca de um acordo entre governo, ruralistas e ambientalistas. A atuação do líder do PT na sessão de quarta-feira à noite serviu para pôr mais combustível no clima tenso da votação do Código. Teixeira disse que o texto apresentado pelo relator no plenário era diferente do que tinha sido entregue a ele. Momentos depois, Vaccarezza subiu à tribuna e defendeu o relatório apresentado por Rebelo.

 

Não é de hoje que Teixeira e Vaccarezza vivem às turras. A relação entre os dois estão azedas desde o processo de escolha do candidato à presidência da Câmara. Na época, Vaccarezza foi derrotado com a ajuda do grupo de Teixeira, que apoiou a candidatura de Marco Maia (PT-RS) para comandar a Câmara.

 

Com a eleição de Maia, o grupo de Teixeira passou a trabalhar para tirar Vaccarezza da liderança do governo. Em conversas reservadas, os petistas da Mensagem ao Partido enumeravam "erros" cometidos por Vaccarezza em 2010, quando foi líder do governo no último ano de mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O "fogo amigo" não surtiu efeito e a presidente Dilma Rousseff manteve Vaccarezza no posto.

 

Delúbio. Outra disputa entre os deputados ocorreu em 2009, quando Teixeira foi preterido na escolha do líder da bancada. Integrantes de correntes diferentes, Vaccarezza, que é da ala Construindo um Novo Brasil (CNB), e Teixeira também divergiram no processo que anistiou o ex-tesoureiro Delúbio Soares, um dos réus no escândalo do mensalão.

 

Para defender a volta de Delúbio, Vaccarezza argumentou que "não existe punição eterna". Já a corrente de Teixeira, que tem como um de seus expoentes o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), foi contrária à refiliação e muitos de seus se ausentaram da votação.

 

Coesão. Teixeira não reconhece a disputa entre a liderança do governo e a do PT. Ele faz questão de lembrar que a bancada do partido na Câmara sempre foi a mais fiel nas votações de interesse do governo. "O PT tem agido com unidade e em consonância com o líder do governo", afirma. "Nenhuma votação encaminhada na Câmara teve divergência entre o líder do PT e Vaccarezza. A bancada tem sido um dos esteios da liderança do governo."

 

Sobre a votação do Código Florestal, Teixeira assegurou que a bancada estava unida em torno do texto acordado com o governo e que o relator fez mudanças que fugiram ao entendimento. "Essa versão final não era a que tinha concordância do governo e havia sido pactuada com o PT e com a base."

 

Em São Paulo, Vaccarezza negou nesta sexta-feira, 13, que a base do governo seja frágil e que haja qualquer sinal de crise. "Se alguém está frágil, não é a base do governo. Até agora, o governo federal aprovou todas as questões que sejam de seu interesse." / COLABOROU GUSTAVO URIBE

Mais conteúdo sobre:
base aliadaPTCâmara

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.