Na Câmara, MPs trancam pauta e dificultam votação

Conclusão do projeto está ameaçada ainda pela obstrução da oposição e pelo esvaziamento da Casa

Denise Madueño, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2008 | 00h00

O governo terá dificuldade em concluir na próxima semana a votação dos quatro destaques à CSS na Câmara. Vai enfrentar medidas provisórias na pauta, a oposição disposta a impedir a aprovação e governistas de ânimo abalado pela pequeníssima vantagem na noite de quarta-feira, quando o projeto foi aprovado com apenas dois votos a mais do que o mínimo necessário. Se a tramitação passar da semana que vem, o quadro piora: a Casa ficará esvaziada, com os deputados do Nordeste viajando para festas juninas, e mais seis MPs vão trancar a pauta e devem atrapalhar os trabalhos até o recesso parlamentar, a partir de 17 de julho."Na semana que vem o jogo será bruto", prometeu o líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). A primeira medida provisória vai trancar a pauta no sábado, mas outras oito estarão na pauta.Para complicar, a votação da CSS provocou a radicalização entre governistas e oposicionistas, além de mal-estar na base. Aliados já consideram que o placar de apenas 259 votos a favor mostrou fraqueza do governo e inviabiliza a aprovação da contribuição no Senado, onde as resistências são maiores."Vamos devolver para o Senado o pepino que ele mandou para nós", disse o líder do PR, Luciano Castro (RR). Ele acha que a proximidade das eleições contribuiu para a ausência de deputados da base na votação. O placar fortaleceu a posição dos governistas que defendiam deixar a votação do projeto para depois das eleições. Com isso, o momento escolhido para colocá-lo na pauta passou a ser uma das principais críticas entre os aliados. Vários petistas discutem se o melhor seria adiar a conclusão da votação.Aliados também reclamaram da condução do líder do governo, Henrique Fontana (PT-RS). Para eles, a dificuldade de obter quórum para abrir a sessão já demonstrava a falta de apoio. "Eu confesso, como líder, que corremos um risco. O quórum estava muito baixo", reconheceu Fontana ontem. A falta de sintonia do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, com a Câmara também foi apontada como problema para a mobilização da base.Houve críticas e mal-estar ainda com a discussão entre o líder do PT, Maurício Rands (PE), e presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Na sessão, Chinaglia reagiu asperamente a uma reclamação de Rands, mandando que falasse ao microfone e depois acusando-o de ser "genérico" na queixa."V.Exa. pode reclamar do ritmo do relator. Mas será que vai reclamar quando o deputado Pepe Vargas, a exemplo do parecer passado, der velocidade maior, que gerou reclamação da oposição?", disse Chinaglia. "V.Exa. ponderou à Mesa que eu tinha que ter parcimônia, uma hora dar interpretação de um jeito para que um lado ganhasse, outra vez dar interpretação de outro jeito. Veja, se foi isso, quero esclarecer que aqui não há lado, aqui há o regimento." O constrangimento no plenário foi geral. FRASESAntonio CarlosMagalhães Neto (BA)Líder do DEM"Na semana que vem o jogo será bruto"Luciano Castro (RR)Líder do PR"Vamos devolver para o Senado o pepino que ele mandou para nós"

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