Na Câmara, candidatos aproveitam posse e pedem votos

Sem possibilidade de fazer corpo a corpo, candidatos vêm recorrendo ao telefone para fazer contato

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2009 | 19h12

Os candidatos à presidência da Câmara - deputados Michel Temer (PMDB-SP), Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PC do B-SP) - aproveitaram nesta terça-feira, 6,  a posse de suplentes para cabalar votos. Sem possibilidade de fazer campanha corpo-a-corpo, que os parlamentares estão em férias, os candidatos vêm recorrendo ao telefone para fazer contato com os colegas. Nesta terça-feira, a chegada dos 11 novos deputados que assumiram as cadeiras na Câmara com a vitória dos titulares na eleição municipal de outubro foi providencial para reforçar a campanha.   "Depois de visitar pessoalmente cada deputado em seu gabinete, estou agora ao telefone", contou Michel Temer, acrescentando que não deve viajar aos Estados em busca de votos. O presidente do PMDB, que recebeu o apoio formal de 12 partidos políticos, incluindo PT, PSDB e DEM, prossegue nas conversas e tenta ampliar seu núcleo de sustentação eleitoral.   Para enfraquecer o chamado bloquinho, que é formado por PDT, PC do B e PSB e apóia a candidatura do deputado Aldo Rebelo, e evitar que a disputa chegue a um segundo turno, Temer quer atrair pedetistas. "Saí bem impressionado das conversas com o PDT", relatou Temer. "O PDT não vai nos abandonar", rebateu Aldo Rebelo, anunciando para a próxima semana uma reunião dos partidos do bloquinho.   Se realmente obtiver os votos das bancadas que declararam formalmente apoio ao seu nome, Michel Temer terá uma eleição tranquila. Mas, como o voto é secreto e sujeito a traições, todos estão trabalhando para consolidar suas posições. Os dois adversários do peemedebista confiam justamente nas traições para viabilizar o segundo turno.   Entretanto, eles também não devem escapar dessas traições. Pelo menos três deputados do PP - Beto Mansur (SP), Celso Russomano (SP) e Jair Bolsonaro (RJ) - devem votar contra Ciro Nogueira. Para compensar, o candidato do PP contabiliza no PMDB votos de aliados como Alberto Silva (PI), Átila Lins (AM) e Alexandre Santos (RJ). A expectativa de Ciro é a de conquistar mais votos no PMDB, DEM e outros partidos da base aliada.   "Só hoje falei com 50 deputados ao telefone. Estou conversando com todos", disse Ciro Nogueira, atacando as negociações feitas entre Michel Temer e os partidos que o apoiam para a composição dos cargos da Mesa Diretora. Nesse rateio, a primeira vice-presidência e a terceira secretaria ficariam com o PT. O DEM seria contemplado com a segunda vice-presidência; o PSDB com a primeira-secretaria; e o PR - leia-se deputado Inocêncio Oliveira (PE) - com a segunda-secretaria, atualmente ocupada por Ciro Nogueira.   "Tenho medo de acordos feitos sem ouvir o plenário", disse o candidato do PP, ressaltando que poderá haver disputa no plenário, o que enfraqueceria os acordos.   Como o objetivo de Temer é o de esvaziar o bloquinho, a situação de Aldo Rebelo ficará mais delicada caso o deputado peemedebista consiga fechar com o PDT e rachar o grupo. Pela manhã, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, telefonou para Aldo Rebelo e disse que o compromisso estava mantido com o bloquinho. Mesmo assim, avisou que o PDT vai reunir sua bancada no dia 20 ou 21 deste mês. Outro cabo-eleitoral de Aldo Rebelo é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), com quem tem conversado diariamente.

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