Ricardo Stuckert|Instituto Lula
Ricardo Stuckert|Instituto Lula

Na Bahia, Lula pede à plateia que se coloque no lugar de Dilma antes de criticá-la

Quero que vocês imaginem a pressão que esta mulher está sofrendo, a dificuldade que ela está sofrendo, disse o ex-presidente

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2015 | 19h52

Em encontro com pequenos produtores rurais nesta sexta-feira, 27, na cidade de Valente, interior da Bahia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu apoio popular à presidente Dilma Rousseff.

“Cada um de vocês tem que se transformar na Dilma. Quero que vocês imaginem a pressão que esta mulher está sofrendo, a dificuldade que ela está sofrendo. Antes de criticar, se coloquem no lugar dela”, disse Lula.

Dilma enfrenta fortes crises na economia e na política e amarga baixos índices de popularidade - inclusive entre o eleitorado fiel ao PT - desde que assumiu o segundo mandato, em janeiro.

Lula comparou o Brasil de hoje a uma criança e disse que o apoio popular é a “vitamina” que falta para ela se reeguer. “Esta criança chamada Brasil é nossa e nós temos que cuidar dela. Sou um cidadão muito otimista e tenho fé em Deus. O Brasil está precisando de vitamina e nós somos a vitamina que a Dilma precisa para dar certo”, comparou.

O ex-presidente admitiu que o País atravessa um momento ruim na economia e Dilma deu um freio nos investimentos públicos “para arrumar a casa” mas tentou transmitir otimismo à plateia prevendo uma situação melhor a partir de 2016. “Se Deus quiser até o final deste ano a casa vai estar arrumada e a gente vai voltar a ter crescimento”, disse.

Lula não citou a Operação Lava Jato e no único momento em que resvalou no assunto corrupção foi para criticar a imprensa. “Se algum de vocês fosse pego desviando uma pitomba já teria sido manchete dos jornais. Mas trabalhando não vão ser manchete. Porque este País está neste momento histórico predestinado às coisas negativas, às insinuações e não às coisas reais que acontecem neste País”, afirmou.

O ex-presidente centrou o discurso de quase 40 minutos nas qualidades e dificuldades enfrentadas pelo povo nordestino, divisões entre ricos e pobres e nas comparações entre seu governo e as administrações anteriores.

Embora tenha pedido apoio à Dilma e admitido a necessidade de um reequilíbrio fiscal, Lula voltou a defender mais investimento público como saída para a crise em vez do ajuste fiscal propposto pelo governo.

“O Guido (Mantega) falava da macroeconomia, até a Dilma falava do PAC da macroeconomia e eu falava: os meus ministros estão falando da macroeconomia mas na verdade a macroeconomia só deu certo no nosso País por causa da microeconomia que nós construímos dando crédito às pessoas mais humildes, fazendo as pessoas comprar”, disse.

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