Andre Dusek|Estadao
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Na Argentina, Temer diz que não se incomoda com protestos e que eles são 'naturais na democracia'

Ao lado do mandatário argentino, Mauricio Macri, durante visita ao país vizinho, nesta segunda-feira, 3, o presidente da República comentou o fato de ter mudado o horário em que iria votar no domingo, em um colégio em São Paulo, evitando, assim, uma manifestação programada contra ele

Álvaro Campos e Rodrigo Cavalheiro, correspondente em Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2016 | 14h32

SÃO PAULO - O presidente da República, Michel Temer, comentou nesta segunda-feira, 3, durante visita à Argentina, a eleição municipal ocorrida no último domingo, 2, no Brasil. Falando ao lado do mandatário argentino, Maurício Macri, Temer foi questionado sobre se teria fugido de manifestações que estavam programadas contra ele no seu local de votação, em um colégio de São Paulo. "Realmente há protestos, são naturais numa democracia, principalmente como rescaldo dos últimos acontecimentos que se deram no país. Não me incomodo com eles não. E eu estava programado para votar num determinado horário, mas depois surgiu um compromisso e eu fui votar às 8 horas da manhã. Mudei o horário. Disseram 'será que ele quis evitar protestos'? A imprensa estava toda lá, a imprensa registrou. Agora se havia protestos mais tarde e eu evitei, tanto melhor pra mim e pra democracia", afirmou.

Temer comentou que não participou das eleições, justificando que sua base de apoio parlamentar é muito grande e contava com candidatos em várias cidades, sendo que em muitos locais eles concorriam com postulantes do seu partido, o PMDB. "Como presidente, não participei de nenhuma campanha, não saí do meu gabinete, não gravei nenhum vídeo, nem no meu Estado", afirmou.

O presidente preferiu não comentar o fato de o partido ter perdido a eleição no Rio e em São Paulo. "O PMDB tem muita capilaridade". 

Ao lado de Macri, ele comentou que os dois países vizinhos enfrentam problemas parecidos, como o desemprego e o combate à pobreza. Temer lembrou que o governo enviou ao Congresso a PEC dos gastos e que isso deve dar maior credibilidade ao governo, gerando confiança na economia e atraindo investimentos. "A gente só combate o desemprego com investimento, e quem faz isso é a iniciativa privada. Temos dito que o poder público não pode fazer tudo por sua conta, se fosse assim, bastaria criar milhões de cargos no serviço público, como parece que aconteceu na Argentina", comentou em uma crítica velada à antecessora de Macri no cargo, Cristina Kirchner, que é acusada de criar milhões de cargos comissionados na administração pública.

Macri foi questionado ainda sobre a possibilidade de os países do Mercosul buscarem acordos comerciais fora do bloco, como por exemplo para destravar as tratativas com a União Europeia. Ele respondeu que Brasil e Argentina tem uma longa parceria e que devem percorrer um caminho conjunto. "Junto com o Brasil está tudo bem, tudo joia, tudo legal", falou em português.

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