Na África, Lula critica estruturas da ONU e da OMC

Governo assinou acordo com Burkina Faso para ajudar no desenvolvimento agrícola e de biocombustíveis

Leonencio Nossa, Agencia Estado

15 Outubro 2007 | 08h18

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta segunda-feira, 15, as estruturas do Conselho de Segurança da ONU e da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em visita a Burkina Faso, na África, Lula disse que as estruturas dos dois órgãos precisam ser corrigidas urgentemente. De acordo com o presidente, 130 dos 192 integrantes da ONU são países da África, da América Latina e da Ásia, mas essas nações, segundo Lula, não estão adequadamente representadas no Conselho de Segurança. Sobre a OMC, Lula disse que o G-20 (grupo de países em desenvolvimento) precisa continuar trabalhando para que os agricultores das nações pobres possam ser competitivos no mercado internacional.   Veja também: Lula trata de OMC, energia e agricultura em nova viagem à África   O presidente assinou acordos de cooperação entre a Embrapa e o governo de Burkina Fasso para melhoria e modernização do setor de produção de algodão. O país africano é o maior produtor de algodão do continente. Lula assinou também acordo para implantação de projeto de produção de biocombustível. Segundo o presidente, a produção de biocombustível não prejudica a segurança na produção de alimentos. "O problema da fome no mundo não decorre da falta de alimentos, mas da questão da renda. Jamais defenderia projetos que tirassem alimento da mesa dos trabalhadores."   Lula aproveitou para retomar a campanha contra os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos. Em encontro de empresários brasileiros e de Burkina Fasso, Lula afirmou que os países africanos são os mais prejudicados com a política de subsídios. "Os subsídios ferem diretamente a economia dos países pobres da África. Estamos juntos na luta contra os subsídios agrícolas dos países ricos", afirmou.   O governo brasileiro espera que a visita à Burkina Fasso e a abertura de uma Embaixada no país possam incentivar intercâmbios entre os empresários do Brasil e de Burkina Fasso. Em uma conversa com integrantes da delegação brasileira, Lula comentou que a economia do país que está visitando é o equivalente a uma décimo do orçamento da estatal brasileira Petrobras e que, por isso, é preciso ajudá-lo.   'Democracia'   Lula afirmou que a democracia nos países do continente africano está-se revigorando. Ao lado de Lula, em um seminário sobre democracia e desenvolvimento, estava o presidente de Burkina Faso, Blaise Campaoré, que está no poder há 20 anos. "É uma honra e uma alegria participar, a convite do presidente Camporé, deste colóquio, pois a África está em pleno ressurgimento e desenha seu próprio destino, que é deixar para trás uma história de desencontros e conflitos provocados ou agravados pela herança colonial", afirmou o presidente brasileiro.   No discurso, Lula não se referiu expressamente à comemoração do golpe com que Campaoré derrubou da presidência Thomas Sankara, mas destacou a importância da democracia e os problemas que conflitos armados causam ao desenvolvimento econômico de um país. Lula destacou, no discurso, a importância da "palavra mágica 'paz'", do desenvolvimento econômico e do fortalecimento das instituições: "Se, em vez de comprarmos pão, tivermos que comprar canhão; se, ao invés de comprarmos arroz, tivermos que comprar fuzis; e se, ao invés de abraçar um companheiro, tivermos que atirar nele, certamente esse país nunca irá se desenvolver."   O presidente brasileiro disse que ele próprio é o resultado mais vivo da democracia no Brasil: "Se não fosse a democracia no País, dificilmente um torneiro mecânico chegaria à presidência da República de uma nação poderosa."   Assessores e diplomatas do governo brasileiro tentaram desvincular a visita de Lula à festa promovida pelo ditador - cujo golpe resultou no assassinato de Sankara -, mas a propaganda oficial do país africano foi bem ostensiva, no domingo, nas ruas e hotéis da capital. A imagem de Campaoré, com a inscrição "20 anos de Justiça e Democracia", estava nos vestidos de modelos contratadas pelo governo local e em cartazes gigantes espalhados pelas principais vias de acesso ao centro da cidade.   Matéria ampliada às 11h23.

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