Na ABL, Plínio critica Sarney e defende fim do Senado

O candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, causou constrangimento hoje ao criticar o senador e acadêmico José Sarney (PMDB-AP) na própria Academia Brasileira de Letras (ABL) e afirmar, na presença da também senadora e presidenciável Marina Silva (PV), que os senadores não têm utilidade. "Desemprega ela (sic)", pediu ele, em tom irônico, em entrevista posterior ao discurso, referindo-se à adversária.

WILSON TOSTA E LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

12 de agosto de 2010 | 19h33

No Fórum Especial promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae) - esvaziado pelas ausências dos líderes da corrida presidencial, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) - Plínio causou risadas e aplausos, mas manteve o discurso de crítica à desigualdade social existente no Brasil, pedindo mudanças e reformas.

"Com todo o respeito aos senadores, não servem para nada. A não ser manter as oligarquias, tipo Sarney. Não sei quem apoia o Sarney aqui, mas em todo caso...", disse ele, a poucos metros do presidente da ABL, Marcos Villaça, amigo do senador pelo Amapá, e da própria Marina. O encontro ocorria no auditório da Academia. Ninguém respondeu. Mais tarde, na saída, Plínio voltou às críticas. "Não precisa o Senado. O Senado é uma coisa artificial. Este País nunca foi uma federação, este País sempre foi unitário. Isto é uma cópia dos Estados Unidos. Lá funciona, aqui não funciona. Aqui é um valhacouto de caciques políticos. Valhacouto. Pode por", disse aos repórteres.

Jornal Nacional

Mais cedo, Plínio teve de regravar a entrevista que concedeu ao Jornal Nacional, da Rede Globo. Ele protestou por ter direito a apenas três minutos, enquanto os adversários Marina Silva (PV), José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) tiveram, cada um, 12 minutos. "A Globo me reservou a classe econômica e, para os candidatos chapa branca, a classe executiva", disse. A gravação foi interrompida e foi feito ao candidato um pedido, para que fosse mais ameno na crítica. Com a ajuda do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), Plínio concordou com um protesto mais brando contra o pouco tempo da entrevista e a regravou.

Armagedon

Marina falou da possibilidade de um "Armagedon ambiental" - a elevação da temperatura da Terra em dois graus, o que inviabilizaria e vida - e denunciou que seu projeto de lei de acesso aos recursos da biodiversidade, apresentado em 1995, ainda não foi aprovado. "Pude ver que as sementes das nossas seringueiras foram levadas para a Malásia", contou, recordando sua juventude. "Eu mesmo as juntei na floresta, e os patrões compravam em troca de rapadura e latas de leite Moça. E eu perguntava para o meu pai: ''Para que eles querem essas sementes, papai?'' E ele dizia: ''Talvez seja para fazer sabão''. Quando entrei para a universidade, descobri que não era para fazer sabão. Era para alimentar o banco de germoplasma (unidades conservadoras de material genético de uso imediato ou com potencial de uso futuro) da Malásia. E com isso perdíamos a proatividade econômica e a vantagem comercial que tínhamos em relação a uma espécie da nossa biodiversidade."

Representante de Dilma, o candidato a vice em sua chapa, Michel Temer, fez uma análise das Constituições brasileiras. Já Serra, chamado como os outros três candidatos, não foi, nem mandou representante. Convidados, fizeram intervenções no encontro - que tinha por tema um "Plano Nacional de Desenvolvimento" apresentado no início da reunião pelo ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso - os jornalistas Tereza Cruvinel (presidente da Empresa Brasil de Comunicação), Claudia Safatle (diretora-adjunta do Valor Econômico em Brasília), Merval Pereira (colunista de O Globo) e João Bosco Rabello (diretor do Estado no Distrito Federal).

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