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Município do Acre tem primeiro candidato indígena da história

Marechal Thaumaturgo é uma das 25 cidades do Brasil em que há concorrentes que sedeclararam índios

Maria Fernanda Ribeiro ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2016 | 05h00

Isaac Piãko, de 44 anos, indígena da etnia ashaninka e conhecido por lutar contra invasões de madeireiros ilegais, concorre pela primeira vez ao cargo majoritário no município de Marechal Thaumaturgo, no Acre, que faz fronteira com o Peru. Apesar de abrigar cinco etnias, é a primeira vez que a cidade, criada em 1992 em uma antiga área ocupada por seringueiros, tem um índio na disputa para a prefeitura. Ele concorre pelo PMDB e seu único adversário é o atual prefeito, Aldemir Lopes, do PT.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há apenas 25 cidades no Brasil em que candidatos declarados indígenas disputam o Executivo municipal. Metade delas está localizada no Norte, onde se concentra boa parte da população indígena do País – apesar de haver candidatos indígenas a prefeito em locais tão diversos como duas cidades em São Paulo, Itaquaquecetuba e Embu-Guaçu.

Os ashaninkas são considerados a etnia mais numerosa das terras baixas da Amazônia e são divididos entre o Brasil e o Peru. Piãko nasceu e viveu na aldeia Apiwtxa, na terra indígena Kampa do Rio Amônia, que fica a cerca de quatro horas de barco da cidade. Foi alfabetizado aos 16 anos, ao ser escolhido pela comunidade para ser o professor da escola indígena que seria montada na aldeia após a demarcação da terra. Foi quando ele foi morar na cidade pela primeira vez. Saiu em 1989, analfabeto, e voltou em 1991 com o ensino fundamental. Em 2000 terminou o ensino médio e em 2014 concluiu a graduação em Pedagogia pela Universidade Federal do Acre (UFAC).

Para o período eleitoral, Piãko mudou-se para uma casa na cidade com a mulher Fátima e os seis filhos. Questionado sobre como era morar longe da aldeia, disse que as crianças sentem falta de tomar banho no rio e ele de caçar e de pescar, além do convívio familiar.

Durante seu primeiro comício, no mês passado, ele pregou o respeito ao adversário, mas defendeu o legado cultural da sua etnia. “Ouvimos muito que somos caboclos e onde já se viu deixar um caboclo governar. Quero mostrar, por meio de uma boa gestão, que nós índios somos capazes também. É preciso ter respeito a todas as raças. Sendo eleito e fazendo um trabalho melhor do que os outros prefeitos, terei o reconhecimento por todo o preconceito que já sofremos.”

Segundo os dados do Censo 2010, os indígenas compõem 10,4% da população da cidade, que é de 14.227 pessoas.

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