Mulheres são vítimas de crise de segurança no Brasil--Anistia

As moradoras de comunidadesmarginalizadas tornaram-se vítimas cada vez mais frequentes dosenfrentamentos ocorridos entre policiais e traficantes dedrogas no Brasil, e muitas delas acabam atraídas pelo comérciode narcóticos devido à falta de alternativas, afirmou a AnistiaInternacional na quinta-feira. O grupo de defesa dos direitos humanos informou em umrelatório que o impacto das novas leis de proteção às mulheresno maior país da América Latina foi limitado pela falta derecursos, táticas violentas adotadas pela polícia ediscriminação existente dentro dos sistemas judicial eprisional. "O que ouvimos, de tempos em tempos, das autoridadesestaduais e federais é que parte do problema verificado noBrasil deve-se ao esfacelamento da família. Mas as políticasque essas autoridades adotam minam a capacidade das mulheres desustentar suas famílias", disse Tim Cahill, autor do relatório. As favelas existentes nas grandes cidades brasileirastransformaram-se em áreas das quais o Estado ausenta-setotalmente, fora as violentas operações policiais de combateaos traficantes que, muitas vezes, resultam em vítimas entre oscivis. O relatório, feito com base em uma série de entrevistasrealizadas em seis Estados (Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio deJaneiro, São Paulo e Rio Grande do Sul) ao longo de dois anos,disse que as mulheres tendiam a ser vistas como peçasdescartáveis tanto por criminosos quanto por policiaiscorruptos. E que, com frequência, eram usadas como "mulas" oucomo iscas pelas gangues de traficantes. "As mulheres costumam voltar-se para o tráfico de drogascomo uma forma de suplementar seus parcos rendimentos, masacabam tragadas pelo sistema da Justiça criminal", disseCahill. Segundo a Anistia, algumas mulheres contaram ter tido acabeça raspada devido a atos de infidelidade e terem sidoforçadas a manter relações sexuais para pagar dívidas. Um número crescente delas está ingressando no superlotadosistema prisional do Brasil, dentro do qual estão sujeitas aatos de violência psicológica e física, incluindo estupros,afirmou o relatório. Segundo dados do Ministério da Justiça, 25.909 mulheresencontravam-se nas prisões brasileiras na metade de 2007, o queequivaleria a cerca de 6 por cento da população carcerária dopaís. No ano passado, o Brasil aprovou a lei Maria da Penha,responsável por ampliar os direitos das mulheres vitimadas pelaviolência doméstica promovendo a criação de cortesespecializadas, de delegacias da mulher, de abrigos e declínicas médicas. A Anistia afirmou que a lei representava um importanteavanço, mas que a eficiência dela vinha sendo prejudicada,entre outros fatores, pela falta de recursos e pela dificuldadeencontrada por muitas mulheres para ter acesso a essesserviços. (Reportagem de Stuart Grudgings)

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