Mulheres ocupam sedes da Codevasf no sertão de PE

Ligadas à Via Campesina, elas tomaram também a sede da Neoenergia, em protesto contra o agronegócio

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

10 de março de 2009 | 17h43

Mulheres ligadas à Via Campesina - que inclui movimentos pela terra - ocuparam na manhã desta terça-feira, 10, as sedes da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) nos municípios de Petrolina e Petrolândia, no sertão pernambucano. Eles reivindicaram água para consumo e para irrigação de suas plantações e protestaram contra o agronegócio, em manifestações que devem ocorrer durante a semana no Estado em comemoração ao Dia Internacional da Mulher - 8 de março. Veja também:Invasões continuarão sem debate da reforma, diz Via Campesina "Moramos na beira do Rio São Francisco, mas não recebemos água em casa nem temos água para irrigar nossas plantações", afirmou Belisa Maria da Conceição, dirigente regional do MST, que integrou o grupo de 100 mulheres que ficaram até o início da tarde na sede da Codevasf em Petrolândia, a 429 quilômetros do Recife. Elas só deixaram o local depois da promessa de uma reunião na próxima semana em busca de uma solução. De acordo com Belisa, 450 famílias vivem nessa situação no assentamento Antonio Conselheiro, no município vizinho de Floresta. Segundo ela, a Codevasf enche uma cisterna - que serve a cada 50 casas - e os moradores pegam água do reservatório com baldes. Em uma semana a água acaba. "Então nós temos que ir adular a Codevasf para encher novamente as cisternas." Em Petrolina, a 769 quilômetros da capital, o protesto foi coordenado pelo Movimento dos Pequenos Agricultores. Segundo Joselita Tavares, uma das líderes, 400 mulheres passaram toda a manhã na sede da Codevasf para denunciar que enquanto as comunidades e acampamentos da área não têm água para beber nem para irrigar suas lavouras, os projetos de fruticultura irrigada são muito bem servidos. Também em Petrolândia, as mulheres invadiram a sede da Neoenergia (empresa privada que adquiriu a antiga companhia estadual de eletrificação), onde reclamaram do preço das contas de luz que consideram abusivas. De acordo com Belisa Maria da Conceição, os assentados do MST na região chegam a pagar contas mensais em torno de R$120,00, mesmo morando em casas simples e possuindo apenas televisão. A reportagem não conseguiu falar com as instituições que foram ocupadas.

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