Mulheres morrem cada vez mais do coração, dizem médicos

"De cada 26 mulheres que morrem no Brasil, oito são vítimas de doenças cardíacas, enquanto apenas uma falece em decorrência de câncer de mama. Apesar disso, as mulheres se preocupam muito mais em apalpar o seio, do que com a prevenção do enfarte", segundo estudo apresentado pelo professor Antonio Carlos Carvalho, da Escola Paulista de Medicina, no 58º Congresso da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que vai até amanhã, em Salvador. O médico explicou que há cinco anos as estatísticas brasileiras mostravam que para cada nove enfartados do sexo masculino, havia uma mulher com o mesmo problema. Hoje, porém, a proporção baixou para seis homens enfartados para quatro mulheres "e quando encaramos a faixa etária mais alta, após a menopausa, o número de mulheres com enfarte já é igual ao de homens afetados.O problema não é apenas brasileiro, tanto que uma das conferências mais concorridas foi da especialista norte-americana Nanete Wenger, cujo tema foi "Doença coronária na mulher: ênfase na diferença de gênero". A especialista falou para um auditório lotado, com muitos médicos e cardiologistas mulheres em pé, explicando os novos caminhos para a prevenção e para a redução da mortalidade cardíaca da mulher.Tanto nos Estados Unidos como no Brasil, o aumento das doenças do coração no sexo feminino decorre da mudança do hábito de vida. Antonio Carlos Carvalho explica que "a mulher enfrenta uma dupla jornada no mundo atual, pois passou a trabalhar tanto quanto o homem em serviços externos ao lar, mas ao voltar para casa tem ainda o trabalho doméstico à frente, pois precisa cuidar dos filhos, do jantar, do próprio marido". Esse fator, somado ao aumento do estresse, da vida sedentária no escritório, do aumento do peso, da pressão arterial, da exposição ao fumo e da alimentação inadequada, acabou influenciando de tal forma a saúde cardíaca da mulher, que ela passou a representar uma parcela crescente dos 300 mil brasileiros que a cada ano morrem por causa do coração. Para o médico da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo, apenas a conscientização desse problema, e a informação, para que a mulher brasileira passe a cuidar melhor de seu coração, podem reduzir a incidência de enfartes. Para isso, diz ele que é preciso que cada mulher com mais de 20 anos faça uma relação dos fatores de risco que enfrenta, sobrepeso, fatores genéticos, isto é, se alguém de sua família morreu de enfarte ou teve derrame ou então diabetes, procure um médico para um exame preventivo e providencie os exames clínicos e laboratoriais anuais, de sangue, para medição do nível de colesterol e triglicérides, de nível de açúcar e o acompanhamento da pressão arterial. O problema, segundo o médico, "é que aos 20 anos começam e sem sintomas aparentes os problemas que a longo prazo, em 10 ou 20 anos, podem resultar no primeiro enfarte e só atacando as causas com a necessária antecedência é que a doença do futuro será impedida de se desenvolver".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.