Jane de Araújo/Agência Senado
Jane de Araújo/Agência Senado

Mulheres jornalistas assinam manifesto em apoio a repórter da 'Folha' insultada no Congresso

Mais de 2,4 mil mulheres "repudiam os ataques"; insultos foram feitos por ex-funcionário de empresa de marketing digital e pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2020 | 14h34

Mais de 2,4 mil mulheres jornalistas assinaram nesta quarta-feira, 12, manifesto de apoio à repórter Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, que foi insultada nesta terça-feira, 11, durante depoimento prestado por um ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News.

No manifesto, as mulheres afirmam que as acusações do depoente à repórter foram feitas “sem apresentar qualquer prova ou mesmo providência”, e reforçam o nome de Patrícia como uma das jornalistas “mais sérias e premiadas do Brasil”. 

“É inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como Whatsapp para disseminar fake news”, diz o texto. 

Em depoimento prestado ontem na CPMI das Fake News, Hans River do Rio Nascimento disse que a jornalista “queria sair” com ele em troca de informações para uma reportagem. O deputado Eduardo Bolsonaro comentou as acusações e disse não duvidar que a repórter “possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro”. 

Em nota, a Folha condenou os ataques à jornalista. “A Folha repudia as mentiras e os insultos direcionados à jornalista Patrícia Campos Mello na chamada CPMI das Fake News. O jornal reagirá publicando documentos que mais uma vez comprovam a correção das reportagens sobre o uso ilegal de disparos de redes sociais durante a campanha de 2018. Causam estupefação, ainda, o Congresso Nacional servir de palco ao baixo nível e as insinuações ultrajantes do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)”, afirmou o jornal.

Após a nota, a Folha também publicou uma série de matérias que revelam o teor das mensagens trocadas entre Patrícia e Hans e o profissionalismo com que a repórter tratou a fonte. 

“É lamentável que um depoimento em CPI  repleto de inverdades seja usado para atacar a honra de uma repórter que fez o seu trabalho de trazer à luz práticas eleitorais questionáveis. A tentativa de intimidar e deslegitimar o jornalismo profissional é uma das práticas típicas de autocracias”, disse o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech. 

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também repudiou as “alegações difamatórias” de Eduardo. “É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia”, disse a Abraji.

Disparos

O episódio fez com que Patrícia fosse alvo de ofensas machistas nas redes sociais. Em 2018, ela publicou uma série de reportagens sobre a ação de empresas que faziam disparos em massa de mensagens por WhatsApp para influenciar o voto nas eleições presidenciais. A Yacows era uma delas.

No início da sessão da sessão da CPMI das Fake News, Hans River também provocou polêmica ao afirmar que o deputado Rui Falcão (PT-SP) o chamou de “favelado” quando o cumprimentou. Falcão disse que se tratava de uma “mentira”, reagindo à acusação ao lado de seu correligionário, o senador Humberto Costa (PT-PE). Hans disse mais tarde que teria sido chamado de “periférico”.

 

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