Mulheres do MST fazem manifesto em frente à Justiça Federal

Um grupo formado por cerca de cem mulheres, ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), fez nesta terça-feira uma manifestação em frente ao prédio da Justiça Federal, em Ribeirão Preto. "A manifestação integra a jornada nacional da luta do MST", diz a diretora estadual do movimento, Kelli Mafort. O principal objetivo é fazer com que seja efetivada a imissão de posse da Fazenda da Barra, em Ribeirão Preto, para que o Acampamento Mário Lago torne-se definitivamente um assentamento. Em audiência, o juiz da 5a Vara Federal, Nelson de Freitas Porfírio Júnior, informou que enviou o processo ao Tribunal Regional Federal (TRF), em São Paulo, para analisar a quem cabe a competência para julgar o mérito. Essa decisão, sobre a competência, deverá sair na segunda-feira.Existem cerca de 450 famílias de sem-terra na Da Barra, além de cerca de 100 famílias ligadas ao Movimento da Libertação dos Sem-Terra (MLST). A manifestação foi apenas ontem (07). O governo federal já desapropriou a área da Da Barra (com cerca de 1,6 mil hectares) em dezembro de 2004 e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) avalia que a desapropriação deve custar R$ 24 milhões, no máximo, enquanto os donos da propriedade, a Robeca e ISI Participações, pede R$ 350 milhões. O Tesouro Nacional autorizou a emissão dos Títulos da Dívida Agrária (TDAs), utilizados no pagamento de fazendas desapropriadas. Agora falta a imissão de posse para consolidar o novo assentamento.As mulheres sem-terra, que fizeram o manifesto integram o acampamento da Da Barra e também dos assentamentos 17 de Abril/Boa Sorte, de Restinga, e Sepé Tiaraju, de Serra Azul. Amanhã, Dia Internacional da Mulher, as integrantes do MST farão uma doação de alimentos agroecológicos ao Núcleo de Solidarieade Dom Hélder Câmara e coletas de assinaturas de um abaixo-assinado, na Praça XV, no Centro, em favor do assentamento da Fazenda da Barra.

Agencia Estado,

07 de março de 2006 | 19h15

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