Mulheres do MST fazem manifestações pelo País

Cerca de 700 integrantes do Movimento Sem Terra (MST) e Via Campesina participaram de uma passeata, nesta quinta-feira, pelas principais ruas de Aracaju em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. A caminhada, que engarrafou o trânsito do centro, foi acompanhada pela caravana chilena Arco-Íris pela Paz. A chuva fina que caiu por volta das 10 horas, quando era realizado o ato público na praça Fausto Cardoso, não afugentou ninguém. As palavras de ordem, as reivindicações e discursos valorizando e homenageando as mulheres pelo seu dia não foram interrompidos. A cerca de 30 quilômetros de Aracaju, no município de Maruim, 280 trabalhadores rurais sem-terra ocuparam por mais de sete horas a frente da agência da Caixa Econômica Federal. Eles reivindicavam a liberação de parte dos recursos, por parte da Caixa, para construção de 280 casas no assentamento José Emídio dos Santos, na cidade de Capela. Os manifestantes só saíram de lá quando o superintendente da Caixa em Sergipe, Gilberto Occhi, se reuniu com os dirigentes do Movimento e autorizou a liberação de R$ 1,6 milhão.No Rio Grande do Sul, cerca de uma centena de mulheres militantes da Via Campesina e de outras organizações como o Movimento dos Afetados por Barragens e Movimento de Mulheres Camponesas realizaram protesto na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As manifestantes queriam impedir um acordo de cooperação científica entre a universidade e a empresa Aracruz Celulose. Segundo a Via Campesina, o departamento de Agronomia da universidade faria pesquisas para a empresa "com sigilo de resultados".Outra manifestação semelhante ocorreu em Santa Maria, região central do Estado. Uma comissão de mulheres da Via Campesina cobrou do reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Clóvis Lima, a realização de pesquisas para a agricultura familiar, a exemplo dos estudos que foram feitos para duas empresas de reflorestamento e celulose. Antes, o grupo que havia invadido a fazenda Taquari, da Stora Enso, em São Francisco de Assis, realizou protesto na praça Saldanha Marinho, no centro de Santa Maria.Em Recife, três trabalhadores sem-terra foram presos e três pessoas ficaram feridas no confronto, na tarde desta quinta-feira, entre manifestantes do MST e Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a PM, que chegou a dar tiros para cima. O grupo era formado por cerca de 200 pessoas integrantes dos dois movimentos, a maioria de mulheres em comemoração ativa do seu dia. Os manifestantes acusaram a Polícia Militar de truculência e de terem chegado atirando.DenúnciaA líder do assentamento de sem-terra no sul do Amazonas, em Lábrea, Saloni Santos de Barros, a Rosa Sem-Terra, denunciou à Polícia Federal e à Polícia Militar em Manaus, na quarta-feira, que soldados da Polícia Militar enviados para "garantir ordem" entre os sem-terra e o fazendeiro Atanásio José Schneider, que disputam 37 mil hectares, estavam usando caminhonetes cedidas pelo fazendeiro. Segundo Rosa, ela está jurada de morte desde o ano passado, junto a Biro-Biro, outro líder dos sem-terra."Vim também pedir escolta à Polícia Federal, mas eles me ofereceram entrar no programa de proteção a testemunhas e mudar de cidade, de nome. Eu não sou criminosa para fugir e mudar de nome, vou voltar para o assentamento", disse Rosa, que esteve em Manaus até quarta-feira, dia 7, em busca de proteção policial e voltou na noite desta quinta-feira para Lábrea. Segundo a assessoria da PF, há seis policiais federais no local, mas não há como fazer vigilância 24 horas na casa de Rosa e na de Biro-Biro. No local, segundo Rosa, vivem há quase três anos 1,5 mil pessoas. "O Incra só prometeu assentar 100 famílias, bem menos do total de pessoas que temos lá", afirmou. A assessoria do Incra informou que há apenas 89 famílias no local, ou cerca de 500 pessoas. Para Rosa, o Incra vai tentar "expulsar" os sem-terra do local e, por isso, está contando com um número menor de pessoas na área.

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