Mulheres devem rediscutir reposição hormonal com médico

Mulheres que fazem tratamento com reposição hormonal no período pós-menopausa devem discutir com seus médicos a possibilidade de suspensão do tratamento, afirmou nesta quarta-feira o chefe do setor de mastologia da Universidade Federal de São Paulo, Luiz Henrique Gebrim.O alerta surgiu depois da divulgação de pesquisa feita nos Estados Unidos com 16 mil mulheres que detectou risco mais elevado de pacientes sob tratamento desenvolverem câncer de mama.Diante da importância dos resultados preliminares, o estudo foi interrompido, e suas conclusões, divulgadas. O tratamento para metade das mulheres constou de uma combinação dos hormônios progesterona e estrógeno. A metade restante foi tratada com uma substância inócua.Patrocinado pelo Instituto Nacional de Saúde, nos Estados Unidos, o trabalho detectou ainda que a reposição hormonal aumenta o risco de problemas cardíacos, derrames e embolia pulmonar. "Os resultados são importantes, e eu acredito que são conclusivos", afirmou o professor do Departamento de Epidemiologia da Universidade da Califórina, Stephen Hulley.O estudo detectou que, com a reposição hormonal, há um risco menor de mulheres terem câncer colo-retal. Mas esse risco também pode ser reduzido com o uso de outras substâncias e com mudanças de hábitos de vida.Dados do trabalho mostram que, em um grupo de 10 mil mulheres que fazem a terapia de reposição hormonal, há um risco de 8 mulheres a mais desenvolverem câncer de mama, se comparadas a um grupo que não faz a reposição.No grupo que faz a terapia, 7 a mais teriam ataque cardíaco e 8 teriam derrames. "Diante desses resultados, é preciso fazer uma reavaliação minuciosa da terapia", diz Gebrim.Ele afirma que as pacientes não devem interromper bruscamente o tratamento, sem antes falar com o médico. Àquelas que há tempos fazem a reposição, ele recomenda uma consulta a um clínico geral e a um cardiologista. "Mas, a partir de agora, ninguém deve iniciar o tratamento com essa terapia sem antes fazer um estudo e um acompanhamento rigoroso com um mastologista."

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