Mulheres da Via Campesina invadem áreas florestais no RS

Centenas de mulheres ligadas à Via Campesina invadiram quatro plantações de eucaliptos em diferentes regiões da zona sul do Rio Grande do Sul, na madrugada desta terça-feira, 6. Duas áreas foram desocupadas durante à tarde. Em nota distribuída à imprensa, a organização informou que as ações fazem parte da mobilização pelo Dia Internacional da Mulher e têm o objetivo de "denunciar o deserto verde que está impedindo a reforma agrária e inviabilizando a agricultura camponesa".A ofensiva da Via Campesina ocorre às vésperas do Dia Internacional da Mulher. No ano passado, a organização usou a data (8 de março) para depredar um laboratório e a área de expedição de mudas da Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro. A Justiça acolheu denúncia do Ministério Público e abriu processo contra 37 líderes daquela ação, que teve a participação de 1,5 mil pessoas. Não está marcada a data do julgamento. Os réus estão sendo citados e ouvidos pelo juiz José Pedro de Oliveira Eckert. Diversas frentesDesta vez, as mulheres agiram em diversas frentes. Em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, um grupo de 200 pessoas montou acampamento dentro da Fazenda Cerro Alto, da família Fichtner, que planta eucaliptos como parceira da Aracruz. Os proprietários já encaminharam pedido de reintegração de posse à Justiça. Em Pinheiro Machado, na Campanha, 250 invasoras se instalaram numa floresta da Fazenda Silveiras, da Votorantim. E em Rosário do Sul, no sudoeste, outras 150 integrantes da Via Campesina entraram na Fazenda Tarumã, também da Stora Enso, mas não chegaram a montar acampamento. Depois de passar a manhã no local, sob chuva, o grupo desistiu da invasão e voltou para os assentamentos de onde havia saído, em Santana do Livramento. A Brigada Militar acompanhou o deslocamento, feito em três ônibus. Em São Francisco de Assis, na região central, 200 mulheres ocuparam um terreno em meio aos eucaliptos da Fazenda Taquari, da Stora Enso, e saíram do local no final da tarde para voltar aos assentamentos onde vivem, em municípios próximos.ReaçãoSegundo a Via Campesina, os 200 mil hectares de florestas de eucaliptos cultivadas pelas empresas de celulose ou seus parceiros dariam para assentar oito mil famílias no Rio Grande do Sul. "O avanço do deserto verde destrói a agricultura familiar e amplia a exclusão social das mulheres", afirmou Elizabeth Witcel, se apresentando como porta-voz da organização.Pelas empresas, o presidente da Associação Nacional de Celulose e Papel (Bracelpa), Horácio Lafer Piva, considerou as ações da Via Campesina como resultado de "um misto de desinformação e má-fé" e enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestando a preocupação da entidade com a repercussão negativa para o País de invasões como as desta terça-feira."Não é só o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que resolve, mas também a percepção, pelo investidor, de que o País oferece segurança jurídica", comentou Piva. Segundo o presidente da Bracelpa, se o movimento social tem verdadeiras preocupações com a sustentabilidade e a reforma agrária deveria se unir às empresas florestadoras, que têm conhecimento ambiental e podem oferecer renda alternativa aos agricultores.Manifestações democráticasA Brigada Militar montou três barreiras nas entradas de Porto Alegre pela zona norte. O secretário estadual da Segurança, Ênio Bacci, disse que os policiais identificarão todos os ônibus que chegarem à cidade até quinta-feira, Dia Internacional da Mulher, quando a Via Campesina pretende fazer um ato público na capital gaúcha. Os coletivos que estiverem portando militantes da Via Campesina serão escoltados até o Parque da Harmonia, local em que, segundo Bacci, serão permitidas manifestações democráticas, que não atrapalharão o tráfego no restante da cidade.(Colaborou Angela Lacerda)Texto atualizado às 18h49

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