Mulheres chefiam 24% das famílias paulistas

As mulheres são mais do que a metade da população paulista, têm em média 2,16 filhos, respondem pela chefia de 24% das famílias e têm expectativa de vida de 75 anos, quase 10 mais que os homens. O universo feminino do Estado e cada um dos seus 645 municípios pode ser agora conhecido pela internet.O banco de informações SPMulheres em Dados, da Fundação Estadual de Análise de Dados (Seade), foi lançado nesta sexta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, durante a posse do Conselho Estadual da Condição Feminina, no Dia Internacional da Mulher.As mulheres das regiões de São José do Rio Preto e Araçatuba têm a menor taxa de fecundidade do Estado: 1,7 filhos cada uma. Já Registro possui a maior: 2,7. É esse o nível do detalhamento dos dados que o sistema oferece, em temas como educação, saúde, violência, mercado de trabalho e participação política. Alguns comparados com índices masculinos.Segundo a coordenadora do projeto, Maria Cecília Comegno, o trabalho é inédito no Estado e vem sendo desenvolvido há dois anos e meio. "Estará concluído em setembro", diz. Porém, de acordo com ela, as informações já poderão ser consultadas a partir de hoje no site www.seade.gov.br e na segunda-feira no www.condicaofeminina.com.br. "Além de ser de fácil acesso para todos, traz informações mais detalhadas para pesquisadores e pode ser base para políticas públicas."No sistema, desenvolvido com apoio da Fapesp, é possível saber que as adolescentes responderam por 95 mil (24%) dos 395 mil partos feitos pelo SUS no Estado. As cesarianas caíram de 41% dos partos em 1995 para 32% em 2001.Os casos de aids femininos vêm aumentando: eram 27 homens infectados para cada mulher em 1985 e 2 para uma em 2001.As principais causas de morte feminina são, pela ordem, doenças do aparelho circulatório, do genitourinário, do digestivo e do respiratório. O quinto lugar cabe a causas externas, como acidentes e homicídios, cujo nível cresceu de 4,4 casos para cada 100 mil mulheres para 5,5 entre 1991 e 2000. Pouco mais de 38% dos trabalhadores empregados eram mulheres em 2001, mas em 2000 24% dos chefes de família eram do sexo feminino, segundo a Seade.Conforme o estudo A situação das mulheres em mercados de trabalho metropolitanos, divulgado nesta sexta-feira pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), a inserção das mulheres no mercado de trabalho cresce a cada ano no Brasil.Mas, apesar do nível médio de escolaridade maior, elas têm mais dificuldades para encontrar emprego, sofrem com taxas de desemprego maiores, ocupam menos cargos de chefia e recebem salários menores.Segundo Patricia Costa, economista do Dieese, mais mulheres trabalham hoje (ou procuram emprego) por realização profissional, complementação de renda familiar ou por assumirem cada vez mais o posto de chefe de família. "Hoje não existe mais o conflito entre ficar em casa cuidando dos filhos, da família ou construir carreira."Em 2001, estavam no mercado de trabalho 34,852 milhões de mulheres no País, 12 milhões a mais que em 1990, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) - a parcela feminina da população economicamente ativa (PEA) passou de 35,5% em 90 para 41,9% em 2001.As mulheres continuam a ganhar menos do que os homens, mesmo desempenhando papéis idênticos. Em São Paulo, mulheres recebiam em 2001, em média, 64,1% dos rendimentos masculinos e hoje ganham 65,5%.

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