Mulheres acusam vereador de discriminação em Jaguariúna

Uma frase desastrosa deixou as mulheres da cidade de Jaguariúna, em São Paulo, em pé de guerra com o vereador Renê Venturini (PSDB), cujo afastamento está sendo pedido em um abaixo-assinado. "Ele falou e todos ouvimos. Abre aspas: ´Sou contra as creches. Sou, sim, porque a maioria das mulheres deixa suas crianças nas creches para vadiar ou para trair os maridos´" afirmou a advogada Marly Denise Biondi. Ela participou com Venturini de uma reunião da Comissão de Meio Ambiente da Câmara em 8 de março, por sinal, Dia Internacional da Mulher."Foi constrangedor, uma afronta contra as mulheres e seus companheiros", disse Marly, que escreveu um artigo a respeito no jornal local "Acontece Regional". "Fiquei aturdida."O vereador Antonio Carlos Tonini (PSB), também presente à reunião, confirmou a versão da advogada. "Foi uma coisa estarrecedora." Segundo ele, o abaixo-assinado contra Venturini é uma manifestação popular autêntica de indignação. "Está registrado em ata na Câmara quando discutimos esse tema. A sessão teve de ser suspensa, havia umas cem pessoas no plenário, mulheres e homens indignados e ofendidos."´Intrigas´ - Venturini nega que tenha dito a frase reproduzida por Marly. "Eu disse que muitas mães trabalham e deixam os filhos nas creches, mas que têm outras, por causa do desemprego, que podem até se prostituir. A situação está difícil hoje e sabemos que existe a prostituição, mas são algumas somente", afirmou o parlamentar. "Não tive intenção de ofender e até pedi desculpas. Acho que estão fazendo intrigas comigo porque estou bem nas pesquisas para ser prefeito.""Isso não pode acabar em pizza", afirmou a dona de casa Elza Donizete Arantes, que distribuiu o abaixo-assinado pela cidade. "Temos mais de mil assinaturas contra esse afrontador de mulheres dignas."Mãe de três filhos que já passaram da idade de ficar em creches, Elza lamenta a situação das mulheres que precisam trabalhar. "Sei na carne a dor de ficar longe dos filhos para ajudar em casa. E esse vereador não sabe a dificuldade que é. Fomos todas humilhadas", afirmou.Câmara - A diretora jurídica da Câmara de Jaguariúna, Gisele Gonçalves Pinto Ferriani, garantiu que o abaixo-assinado será recebido e protocolado. "Mas até o momento não há nenhuma acusação formal contra o vereador em questão. Nunca houve qualquer denúncia que desabone a sua conduta."

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