Sebastião Moreira/EFE
Sebastião Moreira/EFE

‘Mulher não renuncia’, afirma Dilma

A presidente afastada ironiza expediente usado por Eduardo Cunha e diz que deputado ‘chora lágrimas de crocodilo’

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2016 | 21h50

A presidente afastada Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira, 8, que “mulher não renuncia” em referência ao expediente usado nesta quinta-feira, 7, pelo deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao deixar a presidência da Câmara. Para Dilma, o peemedebista derramou “lágrimas de crocodilo” ao anunciar, com voz embargada, que renunciava ao posto na Casa.

“Mulher não renuncia, mulher resiste”, destacou ela, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, onde participou de ato em defesa do programa Minha Casa Minha Vida. Logo em seguida, Dilma cumpriu agenda no centro da capital, onde repetiu que “não entrego o jogo”, para uma plateia de militantes de esquerda durante o encontro Mulheres para a Democracia.

Os dois atos foram organizados, respectivamente, pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, formadas por entidades ligadas aos movimentos sociais, como Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). A socióloga Eleonora Menicucci, que chefiou a Secretaria de Políticas para as Mulheres, esteve presente nos dois encontros.

Dilma disse que o afastamento do peemedebista só corrobora a tese de que ele aceitou abrir o processo de impeachment como um ato de vingança. “O próprio Eduardo Cunha, que agora chora lágrimas de crocodilo – ele, que cometeu desvio de poder e que tem contas na Suíça –, confessa agora abertamente atos de vingança contra quem não aceitou a chantagem.”

Sem citar nomes, a presidente afastada criticou o debate que tem sido feito no País sobre ampliação da carga horária do trabalhador. Nesta sexta-feira, por exemplo, o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade, defendeu a medida para aliviar o quadro fiscal. “Fiquei estarrecida em receber a notícia de que querem propor jornada de trabalho de 12 horas. Isso é um retrocesso, uma volta aos anos 50 do século passado”, disse.

Dilma chamou o governo do presidente em exercício Michel Temer de uma “horda de bárbaros que assaltam o poder”, “golpista” e “usurpador”.

Pedalada. A Procuradoria da República no Distrito Federal entendeu que os atrasos em repasses do Tesouro Nacional para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma das “pedaladas” do governo Dilma Rousseff, não foram empréstimos ilegais. A conclusão consta de despacho do procurador Ivan Marx, no qual ele arquiva procedimento aberto para apurar se houve crime de integrantes da equipe econômica nessas operações específicas. Com base nas conclusões, foram excluídos da investigação penal o ministro interino do Planejamento, Dyogo Henrique de Oliveira, e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho. / COLABOROU FÁBIO FABRINI

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