Mulher de José Rainha comanda protesto no Pontal

Manifestantes chegaram em caravana, empunhando bandeiras e e se postaram na frente do prédio

de O Estado de S.Paulo

09 de março de 2009 | 15h44

Cerca de 200 mulheres de acampamentos e assentamentos do Pontal do Paranapanema, no oeste do Estado, protestaram nesta segunda) contra a morosidade da reforma agrária na região ocupando a frente do escritório regional do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) em Presidente Prudente. A ação foi liderada por Diolinda Alves de Souza, mulher do líder dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior. Desde que o MST deixou de reconhecer as ações do antigo líder, Diolinda estava afastada da mobilização dos sem-terra. Durante o Carnaval, o próprio Rainha comandou a invasão de 21 fazendas na região.  As manifestantes chegaram em caravana, empunhando bandeiras, faixas e cartazes e se postaram na frente do prédio. O escritório não foi invadido, mas a movimentação prejudicou o expediente. Um grupo de mulheres entregou um manifesto ao diretor regional, Túlio Vanali. O documento, assinado também por representantes do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), Unidos na Luta pela Terra (Uniterra), Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MTST) e de sindicatos rurais ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), pedia a transferência do comando a reforma agrária para o Incra. "O Itesp deve continuar dando assistência técnica aos assentamentos, mas a arrecadação de terras deve ser feita pelo Incra, pois é de lá que sai o dinheiro", disse Diolinda. O grupo pediu também a retirada do projeto de lei do governador José Serra que propõe a regularização das áreas com mais de 500 hectares tidas como devolutas no Pontal. O projeto aguarda votação na Assembléia Legislativa do Estado. O documento fazia menção ao Dia Internacional da Mulher, transcorrido no domingo. De acordo com Diolinda, as mulheres estão dispostas a "também ocupar fazendas" na região. O protesto, iniciado às 8 horas, foi encerrado no início da tarde. A Polícia Militar apenas acompanhou a mobilização. Em nota, a diretoria do Itesp disse que manifestação era patrocinada por José Rainha com "pauta requentada e equivocada". Segundo a nota, o Itesp cumpre seu papel na reforma agrária definido pela Constitutição Federal, "mesmo que isso possa desagradar aos profissionais do conflito".

Tudo o que sabemos sobre:
PontalJosé RainhaMSTinvasões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.