Mulher de ex-presidente do Detro-RJ é presa em Curitiba

Acusada de lavagem de dinheiro, Dayse Deborah tentou reaver US$ 1,8 milhão em contas no exterior após não declarar ativos fora do País

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2017 | 19h52

RIO - Dayse Deborah Alexandra Neves, mulher de Rogério Onofre, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ), foi presa na tarde desta sexta-feira, 7, na rodoviária de Curitiba, quando estava a caminho de Florianópolis. Ela é acusada de lavagem de dinheiro e outros crimes. 

Onofre está preso desde segunda-feira, 3, quando foi detido durante a Operação Ponto Final, que desbaratou a máfia atuante no setor de transportes no Rio, responsável pelo pagamento de mais de R$ 260 milhões de propina a políticos e agentes públicos. O ex-presidente do Detro-RJ teria recebido pelo menos R$ 44 milhões.

A prisão dela foi pedida pelo Ministério Público Federal (MPF) e determinada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. “A investigada teve a ousadia de, apenas três dias após a prisão de seu marido e de decretada a indisponibilidade de seus bens, tentar reaver substancioso montante de dólares em fundo no exterior”, afirmam os procuradores da República que atuam na força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio.

As contas de Onofre foram bloqueadas pela Justiça, mas nelas havia apenas R$ 240. “Ao mesmo tempo em que a Justiça tentava bloquear bens do investigado Rogério Onofre, sua esposa, ao alvedrio da determinação judicial de indisponibilidade de bens e utilizando-se meios nada ortodoxos, busca trazer para si 1,8 milhão de dólares e fugir dos braços da decisão judicial e da aplicação da lei penal”, acusou o MPF.

Apesar de declarar à Receita Federal um patrimônio de R$ 1.661.814,48, e de não informar ter ativos financeiros fora do País, Dayse tentou reaver, três dias após o marido ser preso, o valor de US$ 1,8 milhão em contas no exterior, em um fundo chamado Free Fly. “Trata-se de delito de lavagem de dinheiro, cujos indícios apontam Dayse como autora do crime. Ela fez uso de depósitos no exterior, em nome de terceiro, para ocultar a natureza, origem, localização, disposição, movimentação e propriedade de valores provenientes diretamente de infração penal”, afirma o MPF.

Segundo a Procuradoria da República, pelo crime de lavagem de dinheiro, Dayse pode ser condenada a prisão por 3 a 10 anos, além de multa; por embaraçar a investigação de infração penal que envolva organização criminosa, pode ser presa por 3 a 8 anos; por evasão de divisas, está sujeita a prisão por 2 a 6 anos; por auxiliar organização criminosa, pode ser condenada a prisão por 3 a 8 anos.

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