Mulher ‘clona’ ministra para aplicar golpe

PF descobre esquema de venda de títulos públicos; estelionatária fingia ser Eliana Calmon, do STJ

Felipe Recondo, da Agência Estado

19 de janeiro de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Investigação da Polícia Federal, iniciada em fevereiro de 2010, identificou que uma mulher, cujo nome é mantido em sigilo, fazia-se passar pela ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e corregedora Nacional de Justiça, Eliana Calmon, para turbinar um esquema de venda de títulos podres da dívida pública.

 

Ao analisar uma das escutas telefônicas feitas com autorização judicial na Operação Grammata, deflagrada ontem, policiais descobriram que a estelionatária falava com as vítimas como se fosse a ministra numa tentativa de dar credibilidade ao esquema.

 

Para enganar as vítimas, a quadrilha oferecia os títulos às vítimas e dizia que a ministra era uma das investidoras. Para confirmar essa informação, forneciam o número de telefone que seria supostamente da ministra. Quem atendia as ligações era essa estelionatária, que confirmava toda a versão dos parceiros.

 

De acordo com os investigadores, aqueles que achavam que os títulos eram frios efetuavam a compra por achar que a ministra resolveria qualquer problema jurídico que surgisse; quem achava que comprava títulos verdadeiros ficava ainda mais confiante ao saber que Eliana Calmon era uma das investidoras.

 

A mulher que se passava pela ministra usava vários expedientes: tinha um e-mail do STJ, frequentava o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) - esteve pela última vez no prédio no dia 3 de dezembro - e se inteirava de todos os detalhes da agenda de Eliana Calmon e da rotina dela fora do trabalho. Sabia, inclusive, o mercado em que a ministra faz compras.

 

Para dar um toque final à farsa, a estelionatária comprava exemplares de livros de receita escritos pela ministra e os enviava ao gabinete dela pedindo autógrafos. Acima da assinatura, a mulher escrevia dedicatória com a própria letra e despachava o exemplar aos principais investidores. O gabinete da ministra nunca suspeitou do esquema.

 

A PF não soube estimar o volume de recursos envolvido na fraude. A investigação começou no Rio Grande do Sul com investigação do Grupo de Repressão a Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro da PF sobre possível evasão de divisas e lavagem na fronteira com a Argentina. Na operação deflagrada ontem, os agentes cumpriam 33 mandados de busca e apreensão em sete unidades da federação: ES, GO, MG, RS, RJ, SP e DF. Foram apreendidos documentos, CDs de dados, pedras preciosas e armas.

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