'Muitos foram sacrificados' com mensalão, diz Marta

Ministra do Turismo elogia discurso de Lula pedindo 'solidariedade' aos petistas envolvidos no esquema

ELIZABETH LOPES, Agência Estado

03 de setembro de 2007 | 18h41

A ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT-SP), disse nesta segunda-feira, 3, que a solidariedade demonstrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos acusados do esquema conhecido por mensalão, durante o 3º Congresso Nacional do PT, traduz um sentimento de que ninguém foi absolvido ou condenado. "Eu diria que muitos já foram sacrificados, então ter um sentimento de solidariedade é muito humano. E Lula é uma pessoa muito humana", destacou a ministra, após encontro com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes.   Veja também:   Os quarenta do mensalão De acordo com Marta, "a conversa com Serra foi tranqüila e representou uma comunhão de idéias sobre as prioridades para o turismo de São Paulo". Depois do encontro, apenas a ministra conversou rapidamente com os jornalistas. Serra não saiu de seu gabinete, pois, segundo sua assessoria, teria um outro compromisso.   Na semana passada, o STF decidiu abrir processo penal contra os 40 acusados do mensalão. Entre eles, petistas ilustres como José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil), João Paulo Cunha (deputado), José Genoino (deputado) , Luiz Gushiken (ex-ministro) etc.   Em discurso no 3º Congresso do PT, neste fim de semana, Lula pediu solidariedade aos companheiros, mas alertou: "Quem errou estará subordinado às mesmas leis, às mesmas regras que os 190 milhões de habitantes deste país". "Vocês sabem que não costumo falar sobre decisões da Justiça. Mas eu queria que os petistas tivessem em mente uma coisa. Até agora nenhum deles foi inocentado, mas também nenhum deles foi culpado. E somente esses companheiros, nem eu nem vocês, sabemos o que aconteceu", completou.   Mensalão   O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento. Segundo ele, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério.   Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos. Agora, após decisão do STF, todos estão no banco dos réus e, segundo previsão de juristas, uma condenação pode demorar até cinco anos.

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