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A pergunta que fica: conseguirá o candidato do governo vencer a guerra da comunicação?

João Domingos, O Estado de S.Paulo

03 Março 2018 | 03h00

O candidato do governo à Presidência da República terá o que mostrar na campanha eleitoral: taxas de juros que despencaram, inflação abaixo do piso da meta, País fora da recessão, retomada do emprego, embora de forma ainda tímida, crescimento de 1% do PIB em 2017, depois de dois anos em queda forte, com expectativa de avanço de 3% esse ano, e recuperação da Petrobrás, tanto em valor quanto em credibilidade.

Sem falar na decisão do presidente Michel Temer que levou à intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro, apoiada por ampla maioria da população, conforme pesquisas já feitas. Tão apoiada que transformará a questão do combate à criminalidade num dos principais motes da campanha eleitoral.

O PT e os partidos a ele aliados por certo continuarão a dizer que o programa ultraliberal de Temer não poderia ter sido aplicado, pois ele foi eleito na mesma chapa de Dilma Rousseff. E, na campanha, não se falou em nenhum momento que o governo tentaria privatizar boa parte de suas estatais nem que faria uma reforma trabalhista ou o controle dos gastos públicos por intermédio de uma emenda constitucional. São argumentos políticos e continuarão a sê-lo. Porque a realidade os supera. Em menos de dois anos Temer tirou o País do rumo do caos econômico deixado por Dilma Rousseff e o pôs para andar.

Tudo isso, no entanto, não é garantia de que o presidente Temer fará o sucessor. Seja ele mesmo, se decidir concorrer à Presidência, embora diga que não o fará, seja outro nome. E por que um governo que tem tanta bandeira a levantar não tem a garantia da continuidade? Certamente existem respostas objetivas e subjetivas ainda não conhecidas. Mas é possível fazer, agora, alguns exercícios sobre as que estão mais à vista. 

Em primeiro lugar, o governo de Temer nunca ganhou a batalha da comunicação. Com isso, virou moda rejeitá-lo. Ao mesmo tempo, porém, ninguém se anima a ocupar as ruas para pedir a saída de Temer do governo. O que leva à seguinte especulação: falar mal dele parece ser o suficiente. Afinal, está fazendo alguma coisa. E mesmo quando os petistas, que controlam os setores mais mobilizados, prometem fazer um escarcéu, como prometeram no dia do julgamento do ex-presidente Lula, em Porto Alegre, conseguiram reunir 70 mil pessoas. Isso, na conta dos organizadores. E essa conta, não é segredo para ninguém, costuma ser duplicada, triplicada. 

Se o governo de Temer nunca ganhou a batalha da comunicação, conseguirá o candidato a presidente do governo vencer essa barreira? Esse é o desafio que está à frente do próprio Temer, do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Um deles poderá ser o candidato governista, encarregado de defender o legado de Temer, como o próprio Temer costuma dizer. O outro candidato de centro, o governador Geraldo Alckmin, terá dificuldades para conquistar o apoio da maioria dos partidos governistas. Além do mais, enfrenta problemas dentro de seu próprio partido, o PSDB, e dificuldades em montar palanques em Estados fundamentais para suas pretensões, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Pernambuco. 

Partido Novo. Recebi de integrantes do Partido Novo reclamações por não ter citado a legenda na coluna de sábado passado, na qual me referi à falta de um projeto de Nação por parte dos candidatos à Presidência conhecidos até agora. Adotei, como critério para as citações, os nomes com melhores porcentuais obtidos até agora nas pesquisas eleitorais e número de representantes na Câmara dos Deputados. João Amoêdo, candidato a presidente, está com 1% e seu partido não tem nenhum deputado. Mas a militância do Novo é valente na defesa de suas ideias. 

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