Foto: WILTONJUNIOR/ESTADÃO
Foto: WILTONJUNIOR/ESTADÃO

'Muita água vai rolar debaixo da ponte até a próxima eleição', diz Cunha

Deputado cassado, que votou na Barra da Tijuca, afirmou que vai entrar com recursos contra o processo que tirou seu mandato na Câmara

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2016 | 12h37

RIO DE JANEIRO – O deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse que “muita água vai rolar debaixo da ponte até a próxima eleição” e que ainda vai entrar com recursos contra o processo que tirou seu mandato na Câmara. Após votar em uma escola na Barra da Tijuca, bairro onde mora no Rio, o ex-deputado preferiu não revelar seu candidato a prefeito “em respeito ao partido” e disse que seu livro sobre o processo de impeachment sairá até o fim do ano.

“Em respeito ao meu partido eu não vou falar do prefeito, mas com certeza não votei em quem votou contra mim”, disse, alfinetando o candidato do PMDB, Pedro Paulo. Cunha chegou ao Centro Educacional Santa Mônica por volta de 9h10, de calça jeans, camisa social branca e sapato de couro, acompanhado da filha Camila Dytz Cunha. Os dois vieram em um carro com adesivos do candidato a vereador Chiquinho Brazão e ficaram por cerca de dez minutos no local.

A presença de Cunha dividiu os eleitores na zona eleitoral, que estava vazia. Uma mesária da Seção 15, onde Cunha votou, se despediu ironicamente do político com um “tchau deputado cassado”. Algumas pessoas, como o ex-jogador do Flamengo Nunes, cumprimentaram Cunha e pediram até para tirar fotos.

O ex-deputado foi hostilizado por um eleitor enquanto conversava com a imprensa. “O senhor é um verdadeiro palhaço”, gritou Pedro Bevilaqua de Lucca, 28. Cunha revidou com a frieza habitual. “Vai petista. (...) Tem os dois lados da reação. Tem outras pessoas tirando foto como você viu. Estou habituado”, disse. O eleitor negou ser filiado a qualquer partido.

Eduardo Cunha afirmou que vai entrar com recursos contra a cassação de seu mandato e inelegibilidade. “Até a próxima eleição ainda tem muita água pra rolar debaixo da ponte. Ainda vou entrar com alguns recursos, algumas ações no Supremo, já entrei com embargo na Câmara. Eu não diria a você que esse assunto está sepultado ainda não”, disse.

O deputado cassado contou que tem trabalhado 15 horas pode dia em seu livro, no qual contará bastidores do processo de impeachment, que deve ser lançado até o fim do ano. “Está indo de vento em popa”, garantiu, dizendo que está praticamente fechado com uma editora mas que manterá segredo, assim como em relação ao conteúdo do livro.

Questionado sobre possíveis denúncias no livro, Cunha disse que vai fazer um livro de história. “Eu não disse que vou fazer denúncia, vou fazer um livro de história”, explicando que pretende encerrar a narrativa no dia 18 de abril, quando entregou para o presidente do Senado, Renan Calheiros, a decisão da Câmara.

O ex-deputado do PMDB se esquivou de avaliar o governo do presidente da República Michel Temer (PMDB). “Acho que está muito cedo para avaliar. Depois da eleição é que vai começar de verdade”, disse. 

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