Mudanças no ministério mantêm paralisia no Executivo

As reuniões realizadas hoje pelo governo não foram suficientes até agora para superar completamente a paralisia na ação do Executivo provocada pela discussão da reforma ministerial. A agenda das reuniões foi centrada no debate sobre cenários políticos montados pelo chamado núcleo duro do poder a partir dos nomes colocados na mesa para a reforma. A discussão ?até avançou um pouco?, segundo uma fonte consultada pela Agência Estado, mas não o suficiente para eliminar o que tem sido a maior barreira: a indecisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente ainda não conseguiu superar o sentimento de angústia com o qual tem convivido nos últimos dias por ter que demitir amigos. Nos meios políticos já são comuns as avaliações de que a reforma poderá ser pífia e que o critério adotado para a definição de novos ministros não é técnico-profissional, mas pessoal. A dificuldade de Lula para assumir a decisão de demitir amigos criou o ambiente favorável às pressões e pode ter eliminado o impacto desejado e idealizado pelos principais assessores palacianos: criar as condições para profissionalizar o ministério e transmitir à sociedade a mensagem inequívoca de que o social é, de fato, a prioridade do governo.O fator tempo intensifica a angústia de Lula, que tem que decidir o nome de novos ministros até sexta-feira, quando irá a São Paulo para participar do aniversário da cidade e, depois, para o exterior, desta vez para Índia e Suíça. Alguns ministros, segundo relato de uma fonte, também já começam a achar que a reforma será tímida porque o presidente se submeteu às pressões. E lamentam o fato de que Lula possa estar perdendo a oportunidade de indicar um ?nome de peso? para o ministério que irá coordenar todos os programas sociais. No Congresso, não é diferente o sentimento de paralisia. No PMDB, o convidado de honra da reforma, decidiu não se pronunciar até que Lula anuncie as mudanças. O presidente do Senado, José Sarney, continuará no Maranhão cumprindo o luto pela morte de sua mãe. Os ministeriáveis do partido, como o deputado Eunício Guimarães (CE), guardam silêncio. E os outros partidos com candidatos a uma vaga na Esplanada também nada falam. Eduardo Campos, líder do PSB na Câmara esteve com Eunício hoje no Planalto, mas garantiu que nada foi conversado sobre a reforma.

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