Werther Santana/ESTADÃO
Werther Santana/ESTADÃO

Mudanças na Previdência e no sistema tributário serão colocadas em debate, diz Ciro Gomes

Pré-candidato do PDT à Presidência da República disse que o grande erro quando se tentou fazer as reformas no País foi 'tentar enfiar goela abaixo'

Fernanda Guimarães e Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2018 | 20h07

SÃO PAULO - O pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, disse que mudanças na Previdência e no sistema tributário brasileiro precisam ser colocadas em debate. "Os Estados e municípios estão quebrados e a população sente isso na saúde, educação e na segurança precária. É preciso fazer um grande entendimento para restaurar a saúde das contas do governo e a Previdência e sistema tributário serão colocados em debate", afirmou em entrevista à TV Bandeirantes.

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Segundo ele, o grande erro quando se tentou fazer as reformas no País foi "tentar enfiar goela abaixo". "Colocar um assunto complicado de cima para baixo sem conversa. É preciso conversar com os trabalhadores, governadores, empresários", afirmou.

Primeiros 6 meses. Se eleito, Ciro disse que nos primeiros seis meses de seu governo colocará em debate uma reforma fiscal. "Desde 1945, todos os presidentes brasileiros se elegeram por minorias. [Mesmo assim], todos tiveram poderes quase imperiais nos seis primeiros meses. [Portanto] o tempo de se fazer reformas é nos primeiros seis meses [do mandato]", afirmou.

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Ciro ressaltou que os candidatos devem deixar claras suas ideias no período de campanha e propôs que todo eleitor exija dos candidatos a exposição de suas ideias. "Só quero me eleger se for com as minhas ideias. Eu tenho muita experiência. Qualquer homem ou mulher que for eleito no Brasil, que não trouxer o povo para entender o que está acontecendo, vai reproduzir esse itinerário de crise, vai ficar na mão do Congresso. Ou vai ser derrubado ou corrompido ou vai parar na cadeia", afirmou. "Não tenho vocação para nada disso. Já fui um governador, ministro, prefeito popular. Gosto de sair popular e não só de entrar popular", disse.

Imposto. Ciro Gomes destacou que a alíquota do "imposto sobre herança dos ricos nos Estados Unidos é de 29% e dos ricos no Brasil é 4%". Ao responder sobre mudanças na tributação dos mais ricos, Ciro afirmou: "Vamos ter de fazer".

Na entrevista, ele defendeu mudanças no sistema tributário brasileiro e criticou que apenas o Brasil e a Estônia não cobram do cidadão imposto sobre lucro e dividendos, como revelou estudo recente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

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Ciro disse ainda que o Brasil precisa de uma "constante inovação institucional" diante do atual contexto brasileiro de corrupção e "frouxidão moral". "Golpe de frase feita não resolve o problema", disse.

"Qualquer pessoa que fale muito de honestidade é o que a Bíblia chama de sepulcro caiado. Ou seja, branquinho por cima e podre por dentro", afirmou, acrescentando que "decência não é vantagem. É exemplo".

"Nunca respondi a um inquérito nem sequer para ser absolvido. Isso é uma coisa que eu apresento hoje. Mas não faço disso grande vantagem. É preciso, além do exemplo, perseguir inovação institucional", afirmou.

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FHC. Ciro Gomes afirmou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o PSDB nunca mais ganharam uma eleição nacional porque entregaram "pedaços da administração pública a marginais". Segundo ele, essa fórmula "nunca dá certo".

"Entregar pedaços da administração pública a marginais para um presidente virar testa de ferro não deu certo. Nunca mais o Fernando Henrique [Cardoso] ganhou uma eleição ou o PSDB ganhou uma eleição nacional, porque fez esse tipo de coisa", disse o pedetista.

"E olha o que aconteceu com a coalizão do presidente Lula [Luiz Inácio Lula da Silva]. Tenho uma amizade antiga, 30 anos, com o Lula. Mas cansei de avisar que essa prática não ia dar em boa coisa", disse.

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Joaquim Barbosa. Ciro entende que a corrida eleitoral ainda está muito aberta, o que torna impossível discernir qual candidato tem mais ou menos chances de assumir a Presidência da República em 2019. Questionado se o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa será o "fiel da balança" dessas eleições e se poderá se eleger presidente, o pedetista respondeu apenas que todos presidenciáveis serão examinados pelo eleitor. Ciro observou que Joaquim Barbosa "ficou mais de um ano no horário nobre falando sobre combate à corrupção".

Prisão do Lula. Sobre a prisão de Lula, o pré-candidato avalia que do ponto de vista legal, "não há reparo". "Do ponto de vista da qualidade da sentença, foi injusta." Ele afirmou que não faz da política seu meio de vida e que é contratado de forma "bem remunerada" para dar palestras no Brasil e no exterior. Relatou que também já teve experiência no setor privado, sendo presidente da Transnordestina, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). "Trabalho pelo Brasil", disse.

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